Por mais de uma década, Fanuel Josias Nhassengo de 49 anos de Idade, natural de Inhambane e residente na Beira desde a década 90,foi mendigo e andava de loja em loja pedindo esmola na cidade da beira para sustentar a sua família, por muito tempo na companhia da sua esposa Nhassengo, teve a famosa ponte dos cegos como o local do seu ganha-pão, pois era o local onde o casal si instalava estendendo as mãos pedindo algumas moedas para a posterior levar um plástico com alguns copos de farinha de milho, peixe seco e um plastiquinho de óleo de cozinha para a única refeição do dia (Jantar). Depois de um dia sentado naquela ponte pedindo esmola ou ate mesmo depois de uma maratona de pedidos em vários estabelecimentos comerciais da cidade.
COMO FOI POSSIVEL ULTRAPASSAR ESTE MOMENTO?
Fanuel Nhassengo, disse a nossa revista que cansado das humilhações que passava quando fazia os pedidos de loja em loja, ou nas esquinas da cidade, resolveu contactar uma agremiação denominada, ADEMO — ASSOCIACAO DOS DEFICIENTES DE MOCAMBIQUE, uma agremiação que tem prestado apoio a pessoa com deficiência, e dai lhe foi encaminhado a um centro de formação técnico profissional, onde foi formado em corte e costura, hoje Fanuel e um dos mais requisitados costureiros do Bairro da manga na cidade da Beira, onde chega a receber clientes que chegam a percorrer cerca de 30km a procura dos seus serviços.
Fanuel nhassengo, disse ter tentando por varias vezes procurar emprego mesmo antes de ser empreendedor, mais a porta foi lhe fechada na cara, tudo por conta da sua deficiência, mostrando claramente descriminação por este extrato social que tem enfrentado muitas dificuldades para encontrar emprego por conta do seu estado físico.
Hoje como costureiro, Fanuel já não precisa de sair a rua para pedir esmola, porque com o trabalho que faz consegue poupar algum dinheiro para sustento do seu agregado familiar que é composto por oito pessoas, dentre eles três são seus filhos biológicos e os restantes crianças órfãs que perderam os seus pais e que hoje ele dá-lhes toda a educação possível, e através da sua máquina de costurar que hoje Fanuel tem filhos já formados, alguns já empregados e outros ainda a busca de emprego.
O nosso entrevistado disse que com a pandemia a si fazer sentir no pais e a nossa cidade a não espera disso, o numero da clientela reduziu e em algum momento complicou um bocado o exercício normal da sua atividade visto que na maioria os que mais procuravam pelos seus serviços eram estudantes de vários estabelecimentos de ensino para a produção de uniformes, mais e um momento que esta sendo ultrapassado com a retoma das aulas.
Qual e o grande sonho do senhor Fanuel na sua área de trabalho?
Eu tenho como grande desejo alargar ainda mais os serviços, com aquisição de dez maquinas de costurar, só assim poderei criar mais postos de emprego, colocando mais pessoas a trabalharem, sobretudo os mais vulneráveis porque eu seu o que significa passar por dificuldades, e eu continuo a trabalhar quem sabe um dia eu consiga ter este numero de maquinas que preciso e tornar a minha alfaiataria ainda maior, disse Fanuel.
Nos dias que correm, que tipo de ajuda tem dadas as pessoas vulneráveis?
A única ajuda que tenho dado é formar as pessoas que queiram aprender costurar, tenho tirado um tempinho para formar as pessoas em corte e costura, esta formação eu dou as pessoas com dificuldades financeiras ou mais vulneráveis, com destaque para pessoas com deficiência, para que elas saibam fazer alguma coisa e que um dia consigam também ter a sua propiá alfaiataria, tal como hoje eu tenho depois de ter levado muita chapada da vida, frisou.
Fanuel Nhassengo disse ainda que tem estado a dar estagio para alguns deficientes auditivos formados em corte e costura em alguns centros de formação técnico profissional nas cidades da Beira e Dondo, e isto tem feito com muito prazer porque sente-se orgulhoso por ver algumas pessoas hoje nos seus postos de trabalho uma vez que passaram por suas mãos, não há maior satisfação possível, acrescentou.
Quem são as pessoas que procuram pelos seus serviços?
São pessoas de vários os extratos sociais, pessoas que precisam de produzir roupas para o seu dia-a-dia, e tenho sido requisitado com muita frequência por alguns institutos de saúde para a produção de traz para o estágio dos estudantes.
A nossa fonte disse que si no caso houver alguma linha de financiamento para expandir ainda mais o seu negocio seria muito bom, uma vez que tem estado a crescer o nível de procura e em termos de resposta acaba sendo fraco tendo em conta que precisa de ter mais pessoas a trabalhar, e para si ter mais pessoas e preciso de ter mais maquinas e este e o grande desafio.
No fim da nossa entrevista o nosso entrevistado, apelou a todas as pessoas com deficiência a não si sentirem limitados em correr atras dos seus sonhos por conta da sua deficiência preciso ultrapassar todas as barreiras de preconceito e mostrar que e possível ser um empreendedor de sucesso mesmo sendo deficiente, hoje aquele deficiente que vivia de pedidos, tem o seu próprio negócio e da oportunidade a quem dela precisa, disse, Fanuel Nhapossa com um sorriso de quem superou na vida.