Category: Empreendedorismo

  • MARLENE DE SOUSA-UMA MULHER COM A VIDA RESUMIDA EM RECURSOS HUMANOS

    MARLENE DE SOUSA-UMA MULHER COM A VIDA RESUMIDA EM RECURSOS HUMANOS

    Natural de Quelimane e com 31 anos de idade, Marlene de Sousa é licenciada em relações internacionais pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Fez a pós-graduação em gestão de recursos humanos e mestrado em Políticas de Desenvolvimento de Recursos Humanos. Marlene é fundadora de empresa ATITTUDE e de várias outras iniciativas na área de recursos humanos.

    Á Revista Negócios no Chiveve, Marlene de Sousa revelou que no 2º ano de licenciatura em Relações Internacionais descobriu que o curso que seguia não era sua paixão, contudo, viu-se obrigada a concluir. Na verdade, a nossa entrevistada descobriu que Recursos Humanos é a sua grande vocação, e atualmente a sua vida gira em torno deste mundo.

    Em 2014, Marlene de Sousa regressou a Moçambique depois que concluiu os seus estudos em Portugal. Chegada ao país, enfrentou o dilema do desemprego, tendo ficado mais de 4 meses enviando curriculum através de email para várias empresas tentando conseguir uma colocação, e apenas foi aceite para um estágio depois de várias tentativas.  

    Fiquei 4 meses sentada no sofá a mandar emails a procura de emprego. Acho que muita gente que estuda fora acredita que ao voltar consegue logo. Mas, na verdade é preciso também empenhar-se. E depois de muitos emails consegui uma oportunidade de estágio numa empresa de consultoria e fiquei por 6 meses.” Conta Marlene.

    Quando estava em Portugal, ela sempre pensava que ao voltar para Moçambique iria fazer algo diferente e com verdadeiro impacto na vida das pessoas. Marlene acreditava que no seu regresso pudesse mudar também a percepção do país aos olhos do mundo. Importa realçar que, a mesma esteve envolvida em causas sociais após o seu regresso.

    Fui desde sempre muito inconformada com tudo e, sempre no meio de debates para posicionar as minhas ideias e aquilo em que acredito. Quando voltei para Moçambique em 2014, juntei-me a mais algumas amigas e criamos a Karingando e dedicávamos os sábados a recolher material escolar nas papelarias e fazíamos doação para crianças carenciadas”, disse a Marlene de Sousa.  

    A carreira profissional de Sousa começa nesta empresa onde esteve como estagiária. Ela afirma que esta empresa foi para ela mais uma escola, onde por ser uma empresa pequena esta realizava tarefas para além da área de RH, na qual ela é também formada, tendo tido a oportunidade de trabalhar na área comercial. Esta oportunidade de envolver-se em quase todas áreas dentro da empresa contribuiu bastante para que a mesma pudesse criar a sua própria empresa no ano seguinte.    

     “Tinha uma líder que percebeu que eu tinha asas e queria sempre voar mais alto, e este nunca cortou as minhas asas. No final de tudo aprendi muito, mas acredito que a minha vontade de fazer mais e a ambição de mudar as pessoas e o país é que fizeram com que não me limitasse e fosse atrás daquilo que é o meu potencial completo. E eu tenho dito que isso chama-se a minha “ATITTUDE”, que é a empresa que fundei em 2015 e tenho um orgulho tremendo do trabalho que toda equipa tem feito a nível nacional e muito recentemente a nível internacional.” Disse a entrevistada.

    Nos últimos cinco anos, a empresa ATITTUDE tem crescido a um ritmo bastante satisfatório segundo a entrevistada. Importa ainda mencionar que através desta empresa, Marlene conseguiu criar um evento de referência no mercado moçambicano, conhecido como “Fórum RH”, organizado e gerido por uma equipa de profissionais jovens bastantes comprometidos com a área de recursos humanos. O Fórum de RH que nasceu em Moçambique atravessou fronteiras e já acontece em alguns países lusófonos.

    Para além de Moçambique, neste momento, o mesmo evento está em Angola, Cabo Verde e Portugal. Somos referência. Para além do evento, temo-nos posicionado cada vez mais com clientes em diferentes indústrias no que diz respeito ao recrutamento, consultoria de RH, e apoio ao set-up de multinacionais. No entanto, não posso dizer que alcançamos a nossa visão, pois ainda temos muito que aprender com o mercado, e o nosso foco tem sido a busca de soluções que nos diferenciem e nos posicionem.” Defendeu a fonte.

    Á Revista de Negócios no Chiveve, Marlene De Sousa avançou que a ATITTUDE é a empresa que organiza e gere o Fórum RH, e estas duas iniciativas estão relacionadas directamente e, que são o seu negócio principal. Entretanto, no início esta contava com uma equipa da ATITTUDE que dedicava-se ao Fórum em Moçambique. Hoje, devido ao plano de expansão, criou-se uma estrutura mais alargada do Fórum RH que rompe as barreiras internacionais.

     “E esta equipa 100% focada no desenvolvimento das actividades do Fórum, trabalha com a área de comunicação, imagem, contacto com parceiros, criação de estratégia do Fórum adaptada aos diferentes países. Temos um projecto muito estruturado em termos de expansão e estamos focados neste sentido, e acho que vale a pena ficarem atentos porque vem muitas novidades em 2021”, avançou a fundadora.

    Segundo a fonte, ATITTUDE a partir de 2021 vai se posicionar exclusivamente com o Fórum RH. Esta defende que o foco da empresa é trazer soluções para o desenvolvimento dos Recursos Humanos em Moçambique e em África. Porém, para quem pensa que a vida de Marlene de Sousa resume-se nestas duas iniciativas, engana-se.

    Além da ATTITUDE e o Fórum de RH, a nossa entrevistada está envolvida em outras iniciativas como é o caso da Cimeira Lusófona de Liderança e a Mozambique Marketing Summit. Em linhas gerais, a Cimeira Lusófona de Liderança é um evento com objectivo de reunir líderes dos países lusófonos para trazer diferentes abordagens no que diz respeito a liderança. Segundo revelou Marlene, está iniciativa foi criada por ela e uma amiga, Anabela Chastre.

    O meu espírito empreendedor, e a visão de uma rede de contactos alargada, acaba por fazer com que eu me envolva em mais iniciativas. E foi então que com a Anabela Chastre criamos a Cimeira Lusófona de Liderança. Criei também o Mozambique Marketing Summit e, depois convidei duas pessoas a fazerem parte deste projecto para que fosse possível dar continuidade a todos os outros projectos. Eu diria que como empreendedora, estarei envolvida em muitos eventos porque gosto de networking e é bastante importante para o sector em que estou”, disse à Revista Negócios no Chiveve.

    No mundo de RH a nossa entrevistada é uma figura bastante conhecida e brilhante a nível nacional. Questionada sobre os seus desafios, Marlene de Sousa diz que o seu desafio atual é garantir que toda a sua equipa esteja alinhada com a visão da empresa, e que todos continuem a entregar-se com a mesma qualidade que aquela demonstrada desde o início da iniciativa. 

    Eu diria que outro grande desafio atual tem sido comigo mesma. Chega uma fase do negócio em que precisamos de ter a capacidade de olhar para o nosso negócio “com olhos” de quem está por fora. Isso dá-nos a possibilidade de reduzirmos os erros e de criarmos estrutura para continuarmos a dar o próximo passo”, apontou a entrevistada.

    Recentemente a empreendedora lançou um livro intitulado “Mundo RH em Moçambique”. Questionada sobre os porquês de embarcar no mundo da literatura, esta refutou a possibilidade de torna-se uma escritora afirmando que o livro surge como mais uma forma de posicionamento no sector dos recursos humanos e para trazer referências. Posicionamento este apoiado com a defesa da empreendedora de que “as pessoas só mudam através de histórias, e é disso que se trata”. 

    A ideia do livro surge porque eu tenho dito sempre que o país tem poucas referências, e as poucas que existam preferem ficar escondidas e não partilham sobre os seus desafios e o que fizeram para se tornarem pessoas bem-sucedidas. E tendo em conta o posicionamento da ATITTUDE de estar entre as melhores empresas de RH do país, achamos que seria um excelente projecto entrevistar quem trabalha nesta área para que possamos então criar referências na área e, fazer com que os futuros líderes de RH tenham uma visão de impacto na sua gestão”, defendeu Marlene de Sousa.

    Para a criação do livro a fonte conta que, estabeleceu primeiro o objetivo principal do mesmo, de seguida criou um guião de questões que foram enviadas aos Directores de RH. Estes responderam as questões que foram depois organizadas uniformemente por uma colega empreendedora, a Carina Fernandes, gestora de conteúdos. Concluído o processo de compilação do conteúdo, o mesmo foi depois enviado para uma editora em Portugal.

    A Editora RH fez a revisão, paginação e proposta da capa. O Título foi dado pelo Director de RH do Grupo TAP Portugal, Pedro Ramos que foi partilhando comigo também ideias de como o livro deveria ficar. Sou uma pessoa que facilmente pede ajuda, acredito que é o melhor e mais rápido jeito de “fazermos acontecer.” Disse a fonte.

    O Livro foi compilado em apenas 6 meses, segundo Marlene este recorde deve-se ao fato de se tratar de testemunhos. A fonte vai mais fundo afirmando que não existe nenhuma componente científica e estudos no livro, e que o mesmo foi baseado nas necessidades do mercado, e da autenticidade das pessoas de forma geral. Marlene de Sousa diz que o livro é destinado aos futuros profissionais de RH.

    Vai inspirá-los e fazê-los perceberem como se chega a Director de RH das maiores empresas do País. E de forma geral, estas histórias inspiram igualmente a qualquer profissional que queira ter sucesso na sua carreira. Voltaremos a ter uma segunda edição do mesmo livro para Moçambique em 2022. E neste momento estou a planear um livro na mesma vertente mas não apenas para Moçambique”, avançou a mesma.   

    Segundo a autora do livro “Mundo RH em Moçambique”, a maior dificuldade que enfrentou para publicar o seu livro, foi a falta de financiamento. Esta afirma que para poder concretizar o sonho teve de fazer investimento. “Mas eu digo sempre que o que motiva os empreendedores são desafios, vivemos deles e os verdadeiros empreendedores rapidamente se focam em soluções para alcançar os seus objectivos. E isto descreve-me na perfeição”, disse a fonte.

    Fazendo uma avaliação do papel da mulher na sociedade contemporânea, Marlene de Sousa defende a necessidade das mulheres acreditarem mais em si próprias. Diz ainda que as mulheres deveriam arriscar mais ou fazer mais, dando exemplos de algumas mulheres que já fazem e com impacto. Mas que ao seu ver ainda são muito poucas.

    Precisamos de mais mulheres que acreditem em si, que não precisem de validação e que tenham foco naquilo que as faz felizes e não naquilo que a sociedade construiu como imagem para elas. Mas como tudo faz parte de um processo, acredito que cada vez mais teremos mulheres a fazerem a diferença, em vários sectores em vários cargos de liderança e que vão perceber o papel fundamental e responsabilidade que têm na sociedade”, salienta.

    Marlene aconselha a mulher moçambicana para que, “olhe para dentro dela, e avalie o que tem de mais forte e de mais fraco”. Esta defende que, a mulher deve pegar na fraqueza e torna-la sua maior força.

    E que viva a sua vida pessoal e profissional da forma que a faz feliz e esqueça que a sociedade criou uma imagem que tem formatado milhares de mulheres para uma vida igual a todas as outras que já existem. Eu acredito em uma vida, e acho descabido não fazermos o que gostamos e sermos aquilo que sonhamos ser neste único momento que temos o poder de fazer. Por isso acreditem mais, não tenham medo de falhar porque as falhas é que nos ajudam a crescer e vivam uma vida feliz e sejam a vossa própria e melhor versão”, concluiu a Marlene. Importa referenciar que, a mesma espera que cada um dos moçambicanos nas suas diferentes áreas de atuação façam mais, sejam focados em soluções para que em conjunto possa-se criar um elevado impacto no desenvolvimento do país.

  • Jovem de 25 anos cria residências para arrendamento na base de contentores na cidade da beira, em moçambique.

    O jovem, natural da Cidade da Beira, é conhecido por sua determinação, criatividade e força de vontade, pois é atento à evolução dos negócios como chave para se destacar no mercado competitivo desde o tempo do colono. Esta veia beirense engloba todas as camadas da sociedade, tanto aquelas guiadas pela necessidade, quanto as que se agarram às oportunidades, e é essa natureza empreendedora que está cada vez mais em evidência no mundo dos negócios por parte de muitos jovens na cidade da Beira, e dentre eles temos o jovem empreendedor Uria Simango.

    Uria Simango é um jovem de 25 anos, natural da cidade da Beira e recém-formado pela Universidade AFDA na vizinha África do Sul na área cinematográfica. Uria é apaixonado pela cinematografia a muitos anos. Porém, nos últimos tempos, inspirado por um modelo de casas no sector imobiliário sul-africano, decidiu imitar para solucionar alguns problemas, e inovar neste sector na cidade da Beira, edificando casas na base de contentores.

     Sabe-se que a inovação é uma grande aliada em diversos setores da economia, seja para dar mais sustentabilidade, proporcionar mais vendas, conforto, segurança ou ainda trazer mais facilidade para os clientes. E no mercado imobiliário, a inovação pode potencializar os serviços de uma imobiliária, proporcionando diferenciais competitivos que podem fazer a diferença na hora que o cliente toma a decisão. Foi nesta visão que Uria resolveu empreender neste sector, visto que o mercado imobiliário na cidade da Beira vem crescendo a cada dia, porém, cada vez menos inovador, o que chama atenção dos jovens mais atentos a este sector.

    O jovem empreendedor pretendia construir casas na base de contentores apenas para estudantes, mas por falta de fundos resolveu embarcar para a construção de residências para arrendamento com base no mesmo material. Com apenas 3 contentores, Uria inovou e transformou cada um dos contentores em residências com quartos suíte, isolamento térmico, material sanitário e totalmente mobilada o que garante comodidade a quem procura por serviços de hospedagem ou arrendamento de casa na cidade da Beira.

    Uria comentou que para idealizar o projecto de empreender foi necessário muito planeamento e estudo de mercado imobiliário local para tirar a ideia do papel. “Eu decidi unir o planeamento e o estudo à ação. Tudo tem que andar em conjunto para a validação de uma ideia, que no meu ponto de vista, não vale praticamente nada sem ação. Primeiro estudei sobre o mercado de negócios local, estudei ainda mais sobre o mercado imobiliário e depois consegui tirar a ideia do papel.”

    Uma vez finalizada a construção das casas, surge o desafio de divulgar o projecto pois reina uma incerteza por parte das pessoas por tratar-se de contentor e achando que o seu interior seria inadequado para acomodação, devido ao calor que caracteriza este tipo de material, muitas vezes usado para o transporte de carga e armazenamento de mercadoria. O que levou Uria a encontrar melhores formas de assentar o projecto no mercado beirense, conhecido como um dos mais difíceis e monótonos que existem a nível nacional. 

    Entretanto, como diz o velho ditado “Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência.” Foi na paciência do Uria Simango que surgiu o seu primeiro destaque no mercado local. Uria lembra que após a passagem do Ciclone Idai este pensamento que as pessoas carregavam mudou drasticamente, pois houve muita procura de casas para arrendar por parte de algumas organizações não-governamentais e singulares o que chegou a render-lhe cerca de 150.000.00 meticais de lucros mensais superando suas expectativas aquando da criação do projecto, o que lhe proporcionou uma outra visão para a expansão do projecto e modernização do mesmo.

    Uria destaca que, para quem pretende começar um negócio, é necessário entender que o estudo, a pesquisa e a ação fazem parte do processo. “Estude e pesquise para entender o mercado e tenha ação para não ficar apenas no papel e sem validação. A primeira versão não precisa ser perfeita, até porque o feito é melhor que o perfeito. Coloque uma versão simples no mercado e colete feedbacks diários com os clientes. Também é importante montar uma equipe com propósito, você pode ser o ‘dono’ da ideia, mas só irá conseguir atingir grandes resultados com uma equipe qualificada em todas as áreas. Ademais, desafio aos jovens para que sejam mais ousados e não temam em arriscar pois há clientes para todo tipo de negócio, desde que seja lícito, por exemplo, no princípio tive receio em apostar neste negócio, mas, hoje sinto-me muito feliz porque consigo pagar as minhas contas por causa desta atividade e também emprego três Jovens que trabalham na limpeza e manutenção das casas. Em breve pretendo construir mais casas feitas na base de contentores, sendo neste momento um desafio localizar espaço estratégico para implantação do projecto. Então, nós jovens devemos deixar de nos apegar apenas ao diploma ou área de formação e começar a ter espirito criador e inovador, criando o seu próprio emprego e, por conseguinte, mais postos de trabalhos, sobretudo neste período de pandemia da Covid-19 são muitas oportunidades que vem surgindo no mercado, cabe a cada um de nós saber investir e trabalhar.” Concluiu o jovem empreendedor.

    Então, o aprendizado ficou! Se você quiser investir nesse ramo a dica é nunca deixar de estudar e estar sempre atento ao que acontece no mercado, principalmente nas necessidades dos possíveis clientes. 

  • SER EMPRESÁRIO EM MOÇAMBIQUE

    Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Procure definir seu grande sonho e corra atrás para não perder-se pelo caminho

    Este é um conselho direccionado a camada juvenil que pretende entrar no mundo empresarial. De acordo com o empresário Salimo Abdula, a identificação e definição de um único sonho é o passo primordial para o alcance do sucesso empresarial desejado por muitos. “Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Procure definir o seu grande sonho e corra atrás para não perder-se pelo caminho atrás de vários sonhos que não nos levam a um caminho predefinido”, exorta.

    Natural da cidade de Quelimane, província da Zambézia, Salimo Abdula passou uma parte da sua infância na aldeia de Maruro cujo língua natal daquela região é Cena. O seu pai é natural de Inhambane e sua mãe é da província de Sofala, Salimo Abdula é um empresário moçambicano de grande gabarito. Fora do mundo empresarial, Salimo é um homem de família, com 3 filhos todos rapazes. Há mais de 30 anos, o empresário mudou-se para capital onde afixou-se e desenvolve as suas actividades empresariais.

    Importa realçar que, a educação que Salimo teve em casa o ajudou de alguma forma a tornar-se nesta figura reconhecida no panorama empresarial nacional assim como também internacional. Este diz que os seus pais não tinham posses financeiras mas tinha bases, valores e princípios muito apurados. Entretanto estes valores em que Salimo e seus irmãos foram educados, são valores que lhes valem muito actualmente.

     O empresário fala ainda de uma ajuda em termos de educação, ensinamentos estes mais virados para questões éticas, civilizacionais e de como lhe dar melhor em um ambiente formal. Para estes ensinamentos, Salimo destaca os tios Carimo e Baiana, como formadores. Estes tios receberam Salimo na sua residência para que continuasse com os estudos porque na aldeia onde os pais do empresário viviam não haviam escolas. Este fez o ensino primário em Quelimane, e com a transferência dos pais para Ilha de Moçambique Salimo também mudou-se e continuou os estudos lá. Em Nampula, o empresário frequentou o Instituto comercial, e depois mudou-se para Beira e mais tarde para Maputo, tudo para continuar com os estudos.

    Na Cidade da Beira, Salimo concluiu o Instituto comercial e foi afecto a Direcção provincial de Comercio. Porém durante esta estadia na Beira, o empresário nos tempos livres desenvolvia uma actividade de renda numa empresa de Engenharia. Mas, antes mesmo de mudar-se para Beira, Salimo já tinha uma experiência de trabalho adquirida ainda na infância. Segundo o mesmo com seus 13 anos de idade, em Quelimane ocupava-se desenvolvendo actividades em um Bar para poder ajudar na economia familiar.

    Ainda na Beira, o empresário esteve envolvido no mundo desportivo. Salimo Abdula foi um jogador de basquetebol no clube Palmeiras da Beira, e conheceu Maputo através do Clube Palmeiras. Este veio a capital para um campeonato nacional e, depois de mudar-se para Maputo jogou pelo Clube de Maxaquene onde foi campeão na altura. Mas a carreira de jogador viria a terminar depois da sua saída do Maxaquene ao Clube de Madjedje de Maputo.

    Em entrevista a Revista de Negócios de Chiveve, Salimo Abdula revelou os passos e o caminho percorrido desde o início até torna-se um grande empresário “sustentável” como considera-se. Entretanto o princípio de tudo não foi um mar de rosa, Salimo Abdula conta que entra no mundo empresarial depois de adquirir uma empresa totalmente falida e abandonada. Iluminate é a empresa de engenharia electrotécnica adquirida pelo nosso entrevistado, nesta empresa a fonte já fazia parte como trabalhador na Cidade da Beira.    

    Quando eu estava na Beira a estudar fazia parte de uma empresa chamada Iluminate, uma empresa que vendia material eléctrico e fazia obras de engenharia electrotécnica. Depois mais tarde esta empresa, de acordo com a Lei antiga quando os proprietários abandonavam uma empresa mais de 90 dias a empresa era intervencionada pelo Estado, e foi neste sentido que, eu como tinha uma das procurações acabei sendo contactado pela empresa a perguntar se eu queria candidatar-me. Nenhum dos trabalhadores quis se posicionar porque a empresa estava abandona e foi assim que eu entrei para o mundo empresarial”, conta Salimo Abdula.

    A fonte afirma que enfrento diversas dificuldades ao entrar no mundo empresarial. Mas apesar dessas dificuldades continuou ate tornar-se em grande empresário. Salimo Abdula já ocupou diversos cargos no mundo empresarial. Antes de completar seus 20 anos de idade, o nosso entrevistado já ocupava o cargo de Presidente de Conselho de Administração na Iluminate, sua primeira empresa. Tempos depois fundou outra empresa denominada “Eletrosul”, e actualmente é PCA do Intelec Holdings, uma companhia que está na lista das 10 melhores Holdings de Moçambique. 

    De realçar que através desta companhia, Salimo Abdula ocupou ainda os cargos de Presidente de Conselho Administrativo da Vodacom, Administrador do Banco Único, e Banco ICB, todas empresas participadas. “Já fui Presidente da Direcção e Presidente de Mesa da Assembleia na Associação das Confederações Económicas de Moçambique (CTA). Fui também deputado na Assembleia da República na primeira Legislatura Multipartidária”, contou a fonte.

    Questionado sobre os porquês de abandonar a vida politica e seguir a vida empresarial, Salimo Abdula afirmou que decidiu continuar como empresário, vida que já levava muito antes de entrar para a Assembleia da República. O mesmo acrescenta que é um indivíduo de princípios e que evita conflitos de interesses, elementos estes contribuíram bastante para que tivesse um bom nome e reputação no mundo empresarial a nível nacional e internacional.   

    Eu sou uma pessoa de princípios como disse de princípio, sou uma pessoa de princípios porque aprendi questões de valores. Evitar o conflito de interesses é muito bom, e muito importa porque muito das vezes somos jogadores e árbitros. Isso é perigoso, e já me referenciei isto muitas vezes. Nós temos problemas sérios no país quando temos conflitos de interesses, pessoas que estão no sector político que depois eles mesmo tomam decisões em relação há aquilo que é a arena empresarial onde estão envolvidos”, afirma o empresário.

    O empresário diz ainda que entrou para a política vindo do ramo empresarial, em um momento que iniciava a primeira legislatura multipartidária e havia necessidade de quem já estava na arena empresarial ajudar o país num foco da nova era.

    O Governo que tínhamos vinha da economia centralizada, não sabia o que era economia do mercado. Então como empresário aceitei juntar-me a esta primeira fase da república, era a primeira vez que havia muitos partidos no parlamento. Mas ao longo dos 5 anos verifiquei que as minhas empresas estavam em decadência, este era um grande risco. Ou eu continuava com a vida politica ou fica numa situação difícil, lembro-me que a minha esposa estava na medicina e teve que deixar para ajudar a empresa porque eu estava muito ausente. Tive que tomar uma decisão, queria continuar com a vida empresarial e abandonei a política no final do mandato de 1999. A partir do sector empresarial abracei a vida associativa, era uma forma de ajudar o país sem estar ligado directamente a politica”, conta o empresário.  

    Ainda falando da sua saída na vida politica para evitar também o conflito de interesses, a fonte vai mais a fundo exemplificando com um jogador de futebol. Salimo Abdula afirma que o jogador deve lutar apenas pela equipe que veste a camisola, e quando acabar pode seguir para o outro clube. E que tudo é questão de princípios e ética apenas.

     “Sou um individuo de causas, quando abraço uma causa visto aquela camisola e vou lutar dentro daquilo que são os princípios que me propus defender. Por exemplo estive na CTA, lutei pela CTA até entregar meu mandato, hoje não tenho responsabilidade directa mas tenho responsabilidades morais. Se eu amanhã abraçar a administração de uma entidade que eu aceitar, e que seja empresarial eu vou defender essa camisola. É questão de valores e princípios, é como um jogador de futebol, se ele estiver a jogar por um clube deve lutar por aquela camisola. E quando acabar tem o valor moral mas ele não é obrigado, se for para outro clube pode deve vestir a camisola daquele clube e lutar por aquele clube. É um pouco isso o valor da ética de governação corporativa que tenho defendido”, explicou.    

     Actualmente, o empresário ocupa o cargo de Presidente da Confederação Empresarial da CPLP. Esta que é uma confederação que representa o patronato a nível da Comunidade de países da língua Portuguesa. A Revista de Negócios no Chiveve soube que antigamente a direcção era rotativa, mas quando havia mudança de presidência politica. Entretanto, quando era a vez de Moçambique tinha dois anos, e divido em 1 ano cada mandato. No primeiro ano foi para o representante da AIMO que também é membro, e no segundo ano Salimo Abdula foi convidado e esteve a representar a CTA. Já em 2014 houve eleições para candidatura da presidência da CE-CPLP, e já não era em termos rotativos. Salimo concorreu e conseguiu novamente.

    Fui candidato, apresentei um programa e concorri ao lado de um empresário Angolano e vi minha eleição a ser feita por um suporte de 9 países membros da CPLP. Comecei o meu mandato em 2014 e terminei o primeiro mandato. Agora fui reeleito para o segundo mandato onde estou a dirigir neste momento. A sorte é que as duas eleições minhas foram em Cabo-Verde”, contou Salimo como chegou a Confederação do empresariado da CPLP. 

     Em termos de desafios na CE-CPLP, o empresário esta ciente de que são vários tendo em conta que cada país enfrenta seus problemas específicos. A fonte diz que no primeiro mandato foi marcado por uma reestruturação do agremiado, os problemas financeiros e a constituição de uma agenda comum eram os grandes desafios. A agenda actual é criar valor dentro da comunidade tendo em conta os recursos existente na comunidade, como a mão-de-obra jovem.

    Tem grandes desafios uma vez que não estamos a falar de uma única Nação, mas sim de nove (09) Nações que querem encontrar uma agenda comum. O primeiro mandato foi mais virado para organização institucional tendo em conta que CE-CPLP era muito incipiente e, tinha grandes problemas estruturais e financeiros e que tinham que ser sanados. A Minha energia e da equipe foi mais reestruturar e criar uma confederação mais respeitada e aderência ou inserção nos 9 países, e constituir uma agenda comum. A agenda esta constituída tendo uma grande visão como aquilo que seria a mobilidade dentro das comunidades, depois livre circulação de pessoas e bens, e livre circulação de capitais” avança Salimo.  

    Entretanto, a comunidade da CPLP tem mais de 75% de uma população jovem, que segundo o empresário, tem muita energia e que a mesma deve estar orientada e trabalhada para que seja aproveitada, no sentido que os jovens possam empregar-se, criar valor nas comunidades, criar empresas com conhecimento tecnológico. Salimo Abdula avança ainda que, as outras áreas importante a ser desenvolvidas são o sector agró-industrial e o sector energético.

    Com o sector energético a CPLP pode vir a afirmar-se como a maior comunidade produtora no mundo, isso tudo deve ser bem trabalhado em conjunto. É um facto que é um desafio grande porque cada um dos países tem sua complexa, vemos que Moçambique, Angola e quase todos os países estão a ter problema de agenda própria. Por vezes não conseguimos levar a cabo esta agenda comum com a celeridade que gostaríamos de ver, mas temos esperança que sim a CE-CPLP vai continuar a trabalhar no sentido de agregar valor a economia dos nossos países”, assegurou o Presidente da CE-CPLP.        

    Salimo Abdula diz a comunidade empresarial moçambicana tem apoiado bastante nas actividades da CE-CPLP para o alcance dos objectivos desta agremiação e da sua agenda. Este suporte vem através da Associação das confederações económicas de Moçambique (CTA), e das estruturas governamentais a nível do Ministério dos negócios estrangeiros. A Revista de Negócios no Chiveve quis saber de Salimo como é ser um empresário de Sucesso em Moçambique. A fonte explicou antes que em Moçambique a palavra “Sucesso” tem várias conexões, e que se tem cometido o erro de considera-se empresário de sucesso muitas das vezes pessoas que ganham riquezas sem ter passado por um processo produtivo.

    Muitas vezes a palavra empresário de sucesso associa-se a quem tem sucesso sem meter a mão na massa, portanto são pessoas que ganham riquezas sem ter passado por um processo produtivo. Eu queria vincar que o sucesso de muitos que se consideram com sucesso tem a ver com o equilíbrio entre o positivo e o negativo. Eu posso-me considerar uma pessoa de feliz, sucesso se quiser dizer se tiver em conta que consigo trabalhar, pagar minhas responsabilidades, sustentar minha família, criar riqueza ao país. Criar mão-de-obra e conseguir honrar os compromissos que a empresa tem, eu considero isto sucesso e nesta perspectiva que sou um empresário de sucesso”, disse Salimo.  

    A fonte em a consciência de que, é a primeira geração na família a chegar a esse nível empresarial, portanto acredita ainda que o sucesso empresarial no seu todo leva gerações. Salimo Abdula defende que o sucesso empresarial só será sucesso mesmo se o empresário conseguir transmitir esses valores e bases aos seus sucessores para que estes possam progredir e não ser apenas herdeiros desta visão empresarial e social por ele construída. Para torna-se um empresário de sucesso, o nosso deixou ficar três elementos básicos. A persistência, a consistência nos objectivos e a honestidade são os três elementos defendidos pelo empresário.

    O que tento dizer aos mais jovens é, procurem não correr atrás de muitos sonhos, procure definir o seu grande sonho e, corra atrás para não perder-se pelo caminho atrás de vários sonhos que não nos levam a um caminho predefinido. E o sucesso de um empresário como já havia dito é o balanço do positivo e o negativo. Se a gente consegue ir a cama e dormir de consciência tranquila, de que não deve e que não passou por cima de alguém ou não fez mal a ninguém, esse equilíbrio para mim é o sucesso, que é a consciência tranquila no seu sono. Muitos pensam que o sucesso é ter muito dinheiro, eu conheço muita gente muito pobre que a única coisa que tem é dinheiro” explicou a fonte.

    O empresário afirma ter aprendido dos seus erros para tornar-se um empresário de sucesso. Umas das grandes lições que precisou aprender foi o foco nos seus objectivos. De várias lições adquiridas no seu processo evolutivo, é não confundir receitas com lucros. Está lição é recomendada pelo empresário aos jovens empreendedores, e outras lições podem ser adquiridas na sua pagina do facebook, lugar este que Salimo sempre publica lições empresariais.

    Eu comecei um pouco empiricamente, fui aprendendo dos meus erros. Não fiz uma formação específica para ser empresário, sempre fui um sonhador de desporto. Queria ser um grande jogador na NBA, pensa em ir jogar para fora era o sonho daquela altura e da adolescência. E este sonho foi levando-me, mas acabei não sendo esse jogador de basquetebol internacional mas consegui ser o campeão nacional. A vida abriu-me outras janelas de oportunidades, esta janela que me referi no sector empresarial e assegurei esta área, e fui crescendo que me deram. Se eu não soubesse que queria ser empresário, se quisesse ser um desportista, académico ou mais tarde um político teria feito muita coisa e perdido meu foco. É aquilo que digo, corram atrás de único sonho depois de atingir o seu sonho as outras coisas podem ser feitas como complemento do seu sonho”, defende Salimo Abdula.

    Para os jovens empreendedores, o empresário aconselha ainda para que foquem-se mais na vida empresarial por ser compensadora. Mas este diz tudo é condicionado pelo espírito de batalhadores, que não hora específica para o trabalho e evitar os erros. Sublinhando cada vez mais a necessidade de não confundir-se as receitas com os lucros, segundo este o que for lucro não deve ser consumido na totalidade mas sim apenas 10 por centos. Ciente de que leva tempo, a fonte aconselha para que se cresça com sustentabilidade.

    Recentemente, o Empresário Salimo Abdula recebeu um prémio internacional denominado “Euroknwowledge 2020”. Este prémio já foi atribuído a grandes empresários como Bill Gates. Segundo o galardoado, este prémio é um prestígio não só para si, mas também para a sua família e para o empresariado nacional.  Salimo Abdula diz que esta premiação mostra que não é só de coisas negativas como é vendida a imagem do país, e serviu para mostrar que Moçambique também tem valor.

    Este valor que eu tenho existe em Moçambique com muitas boas pessoas, empresários que tem visibilidade que eu mais que tem os mesmos princípios. Tudo isso é uma enorme responsabilidade, e quero partilhar tudo isso com colegas e compatriotas, e dizer o berço que me trouxe de Beira e Quelimane esta sempre presente no meu coração. Isto tem feito de mim alguém cauteloso e com muita responsabilidade, e hoje um prémio deste cai para mim a responsabilidade e como cai para imagem colectiva do país. Hoje temos mais o termo responsabilidade do que ficar ai mais expostos a visibilidade para qualquer erro que eu possa cometer inocentemente, há que duplicar esta responsabilidade. É uma grande alegria e honra ter recebido um prémio deste nível”, explanou o empresário.   

    O empresário não sabe dizer o que contribuiu concretamente para que fosse o vencedor deste prémio. Mas o mesmo reconhece que tudo tem a ver com a combinação do capítulo de Liderança, questões filantrópicas e com os princípios defendidos. O vencedor avançou ainda que soube que umas das organizações que propuseram o seu nome foi a Humans Lider of África. Organização da região e que já esteve em Moçambique, onde Salimo Abdula já foi palestrante aqui no país e na África do Sul através desta instituição.       

    A Revista Negócios no Chiveve, o entrevistado afirmou que o sector empresarial nacional é composto em todas áreas por um empresariado emergente. Apesar deste empresariado estar em um processo de construção, segundo o empresário os grandes desafios actuais são a Paz, a estruturação para o acesso ao financiamento e acesso a tecnologia de forma a trazer soluções sustentáveis ao país.

    Vejo e acompanho que uma grande parte dos jovens que já começa a ter uma formação tem dificuldades em ter acesso ao financiamento que possa ser sustentável ao seu projecto, e as suas garantias para serem apresentadas a banca. Penso que aqui o conceito de uma estrutura financeira ou de um banco de desenvolvimento ainda é incipiente, isto dificulta que a maior parte do empresariado jovem possa dar o seu passo. Para as empresas mais solidas no mercado tem grandes oportunidades”, confirma o empresário.  

    Salimo diz ainda que o sector da Logística ainda é também um grande desafio para o sector empresarial no seu todo. Este afirma ser “muito cara” a logística no país, e não é fácil transportar um produto produzido em Maputo para a comercialização em Nampula.

     “A logística de Moçambique ainda é muito cara, se quiser produzir uma coisa em Maputo e manda para Nampula, vice-versa ainda é caro. Penso que o desafio da logística é um do nosso estrangulamento que temos, e outros são os desafios que os empresários vivem no seu dia-a-dia. A paz é digamos é a base prioritária para todos nós, não só para os empresários. Sem paz dificilmente nós podemos progredir, este é um outro grande desafio que temos. Espero que essa luta que o governo esta a fazer para consolidar a paz aconteça para o benefício de todos. Só não se beneficiam aqueles que estão contra a paz que é uma coisa estranha”, exortou.

    Os sequestros que tem a tendência a aumentar no país, segundo Salimo Abdula é uma das grandes preocupações do empresariado nacional. Este fenómeno prejudica o sector empresarial e cria instabilidade social no país. Segundo o empresário, o país neste momento precisa de mais investimentos, e se não haver essa tranquilidade pode-se viver uma grande crise onde a camada juvenil será a mais afectada não pode conseguir investir ou ter emprego. Porque na sua óptica além de haver mais investimentos o que acontece é que esta haver menos investimos.

    Temos visto que a onda de sequestros tem atingindo uma camada empresarial. Nós olhamos que a onda de sequestros andam a uns anos, primeiro estava numa faixa específica do mercado, onde ouvíamos que era um grupo de mercado e acerto de contas de negócios estranhos e complicados. Mas começamos a ver agora um processo de democratização do próprio sequestro, já começam a sequestrar pessoas singulares com menos exposição empresarial. Isto começa a criar uma preocupação mais generalizada porque vai afectar a atracão de investimentos para Moçambique porque vai tornar-se um país perigoso. Se comparado com muitos países latinos americanos, que são países altamente inseguros e Moçambique era um país seguro apesar das questões de terrorismo que temos no norte, começa a se intensificar cada vez mais esta questão de raptos e país aparece novamente com a negativa na mídia nacional e internacional” concluiu a fonte.

    NÁDIO TAIMO

    NOVEMBRO DE 2020

  • QUEM É A MULHER EMPREENDEDORA EM MOÇAMBIQUE?

    O empreendedorismo já é uma palavra popular no nosso cotidiano. No entanto, tenho acompanhado alguns debates em que retomam as questões sobre o conceito de empreendedorismo e exemplos de empreendedorismo em Moçambique. Será que a vendedora de tomate no mercado do bairro é empreendedora? Será que temos empreendedoras de sucesso em Moçambique? 

    No dia 19 de Novembro, empreendedoras dos Palops estiveram unidas virtualmente na celabração do Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino (WED 2020) e daí surgiu a minha motivação para reflectir três características que destacam uma empreendedora. A definição de empreendedorismo deve ser feito com frequência, tanto para indicar o contexto, como para reajustar as estratégias para construir um país empreendedor. 

    Empreender é correr riscos calculados

    Quando iniciamos a jornada diária estamos atentos para que nenhum evento coloque em causa a nossa segurança física, mental ou financeira. Já temos uma rotina que ajuda-nos a manter o corpo saúdavel, a boa disposição e dinheiro para cumprir as nossas obrigações familiares. Então, se todos que correm risco são empreendededores, significa que temos milhões de empreendedores em Moçambique?

    A resposta é não. É verdade que a vendedora do mercado do bairro corre inúmeros riscos para começar e manter o negócio. Ela adquire os produtos num mercado grossista com preços baixos, corre risco de vida no transporte, corre risco ao comprar produtos perecíveis e que terá inúmero prejuízo se não vender rápido e também corre risco de ter o negócio replicado pela vizinhança e perder a sua clientela.

    A diferença entre a vendedora do mercado do bairro e uma empreendedora é que a empreendedora conhece os riscos do seu negócio e assume que vai correr os riscos de forma calculada. A empreendedora têm noção dos produtos que pretende vender e do seu custo de aquisão, conhece toda a jornada de interecção com os clientes e não ignora a concorrência. A partir daí, ela estabelece uma plano de acção de como correr riscos no negócio e ter lucro. A maioria das vendedoras do mercado do bairro não sabe o que é lucro, pois a motivação para o negócio é o sustento familiar imediato.

    Empreender é investir tempo, dinheiro e esforço

    A palavra investimento está estritamente relacionada com o futuro ou resultado a longo prazo. De uma forma simples, posso dizer que investir é quando aplicamos o nosso capital (humano, material ou financeiro) hoje, para ter benefícios daqui a mais de cinco anos. Será que a vendedora do mercado do bairro faz uma projecção do negócio de cinco anos? Como abordei anteriormente, a vendedora do mercado do bairro está preocupada com o sustento diário da sua família. Embora a sua dedicação de tempo e esforço físico no negócio seja elevado, o seu investimento finaceiro é reduzido.

    Por isso, encontramos mais uma característica crucial que afasta a vendedora do mercado da categoria de empreendedora. É importante actuar no negócio com maior comprometimento de tempo, isto é, dedicar-se a tempo integral na gestão e operação do negócio, mas saber ajustar os diferentes tipos de investimentos é que a verdadeira essência do empreendedorismo. E mais uma vez o planejamento é chamado para entrar em acção. A empreendedora estima quanto tempo, dinheiro, pessoal é necessário investir hoje e o retorno financeiro esperado nos primeiros anos  do negócio.

    Empreender é expor o negócio

    Quando nos encontramos com uma pessoa desconhecida e pretendemos algum benefício nessa relação, o primeiro passo é a partilhar o nosso nome. Se parar passar, você não sabe o nome da tia que vende tomate no mercado do bairro? Algumas são tratadas por tia, outras por mãe de tal fulano  e as poucas que tem seu nome exposto aos clientes é quando a vendedora da banca vizinha pede o troco.

    A terceira característica que difere uma vendedora do mercado do bairro e a uma empreendedora é a exposição do negócio. A exposição geográfica, isto, quantas pessoas no bairro, na cidade ou no país sabem da existência do negócio tem impacto no crescimento do negócio. 

    Para a vendedora do mercado pode ser suficiente ser conhecida apenas no seu bairro, que já tem receita suficiente que garante uma refeição por dia da família. No entanto, para empreendedora o seu negócio deve ter um alcance maior e mais delimitado em termos de faixa etária, demografia, preferências e outros critérios de selecção do segmento de clientes. Para tal, ela precisa expor o nome do negócio ao público, apresentar o seu diferencial no mercado que vai atrair os clientes certos.

    Actualmente, a exposição do negócio exige mais do que uma placa na entrada do estabelecimento comercial ou empresa, os canais digitais são imprescidíveis para apresentar o negócio e interagir com maior  de clientes.

    O questionamento é um exercício repetitivo, a busca por uma resposta sobre quem é a mulher empreendedora, dará lugar a novas questões para as mulheres, as instituições do governo de promoção, as ONG´s, investidores, consultores e a sociedade em geral.

    A nova questão que surgiu na mente foi: Será que a imagem da mulher com o filho nas costas e a mercadoria na cabeça não é sobrevalorizada? E que consequentemente limita a transição em massa de vendedora do mercado do bairro para o estágio de empreendedora e posteriormente investidora.

  • EX mendigo com Deficiência Física vira empreendedor na Cidade da Beira

    Por mais de uma década, Fanuel Josias Nhassengo de 49 anos de Idade, natural de Inhambane e residente na Beira desde a década 90,foi mendigo e andava de loja em loja pedindo esmola na cidade da beira para sustentar a sua família, por muito tempo na companhia da sua esposa Nhassengo, teve a famosa ponte dos cegos como o local do seu ganha-pão, pois era o local onde o casal si instalava estendendo as mãos pedindo algumas moedas para a posterior levar um plástico com alguns copos de farinha de milho, peixe seco e um plastiquinho de óleo de cozinha para a única refeição do dia (Jantar). Depois de um dia sentado naquela ponte pedindo esmola ou ate mesmo depois de uma maratona de pedidos em vários estabelecimentos comerciais da cidade.

    COMO FOI POSSIVEL ULTRAPASSAR ESTE MOMENTO?

    Fanuel Nhassengo, disse a nossa revista que cansado das humilhações que passava quando fazia os pedidos de loja em loja, ou nas esquinas da cidade, resolveu contactar uma agremiação denominada, ADEMO — ASSOCIACAO DOS DEFICIENTES DE MOCAMBIQUE, uma agremiação que tem prestado apoio a pessoa com deficiência, e dai lhe foi encaminhado a um centro de formação técnico profissional, onde foi formado em corte e costura, hoje Fanuel e um dos mais requisitados costureiros do Bairro da manga na cidade da Beira, onde chega a receber clientes que chegam a percorrer cerca de 30km a procura dos seus serviços.

    Fanuel nhassengo, disse ter tentando por varias vezes procurar emprego mesmo antes de ser empreendedor, mais a porta foi lhe fechada na cara, tudo por conta da sua deficiência, mostrando claramente descriminação por este extrato social que tem enfrentado muitas dificuldades para encontrar emprego por conta do seu estado físico.

    Hoje como costureiro, Fanuel já não precisa de sair a rua para pedir esmola, porque com o trabalho que faz consegue poupar algum dinheiro para sustento do seu agregado familiar que é composto por oito pessoas, dentre eles três são seus filhos biológicos e os restantes crianças órfãs que perderam os seus pais e que hoje ele dá-lhes toda a educação possível, e através da sua máquina de costurar que hoje Fanuel tem filhos já formados, alguns já empregados e outros ainda a busca de emprego.

    O nosso entrevistado disse que com a pandemia a si fazer sentir no pais e a nossa cidade a não espera disso, o numero da clientela reduziu e em algum momento complicou um bocado o exercício normal da sua atividade visto que na maioria os que mais procuravam pelos seus serviços eram estudantes de vários estabelecimentos de ensino para a produção de uniformes, mais e um momento que esta sendo ultrapassado com a retoma das aulas.

    Qual e o grande sonho do senhor Fanuel na sua área de trabalho?

    Eu tenho como grande desejo alargar ainda mais os serviços, com aquisição de dez maquinas de costurar, só assim poderei criar mais postos de emprego, colocando mais pessoas a trabalharem, sobretudo os mais vulneráveis porque eu seu o que significa passar por dificuldades, e eu continuo a trabalhar quem sabe um dia eu consiga ter este numero de maquinas que preciso e tornar a minha alfaiataria ainda maior, disse Fanuel.

    Nos dias que correm, que tipo de ajuda tem dadas as pessoas vulneráveis?

    A única ajuda que tenho dado é formar as pessoas que queiram aprender costurar, tenho tirado um tempinho para formar as pessoas em corte e costura, esta formação eu dou as pessoas com dificuldades financeiras ou mais vulneráveis, com destaque para pessoas com deficiência, para que elas saibam fazer alguma coisa e que um dia consigam também ter a sua propiá alfaiataria, tal como hoje eu tenho depois de ter levado muita chapada da vida, frisou.

    Fanuel Nhassengo disse ainda que tem estado a dar estagio para alguns deficientes auditivos formados em corte e costura em alguns centros de formação técnico profissional nas cidades da Beira e Dondo, e isto tem feito com muito prazer porque sente-se orgulhoso por ver algumas pessoas hoje nos seus postos de trabalho uma vez que passaram por suas mãos, não há maior satisfação possível, acrescentou.

    Quem são as pessoas que procuram pelos seus serviços?

    São pessoas de vários os extratos sociais, pessoas que precisam de produzir roupas para o seu dia-a-dia, e tenho sido requisitado com muita frequência por alguns institutos de saúde para a produção de traz para o estágio dos estudantes.

    A nossa fonte disse que si no caso houver alguma linha de financiamento para expandir ainda mais o seu negocio seria muito bom, uma vez que tem estado a crescer o nível de procura e em termos de resposta acaba sendo fraco tendo em conta que precisa de ter mais pessoas a trabalhar, e para si ter mais pessoas e preciso de ter mais maquinas e este e o grande desafio.

    No fim da nossa entrevista o nosso entrevistado, apelou a todas as pessoas com deficiência a não si sentirem limitados em correr atras dos seus sonhos por conta da sua deficiência preciso ultrapassar todas as barreiras de preconceito e mostrar que e possível ser um empreendedor de sucesso mesmo sendo deficiente, hoje aquele deficiente que vivia de pedidos, tem o seu próprio negócio e da oportunidade a quem dela precisa, disse, Fanuel Nhapossa com um sorriso de quem superou na vida.

  • MARTA VÂNIA UETELA CRIA PRIMEIRA EMPRESA EM MOÇAMBIQUE QUE PRODUZ PRÓTESES ATRAVÉS DE MATERIAL RECICLÁVEL.

    MARTA VÂNIA UETELA CRIA PRIMEIRA EMPRESA EM MOÇAMBIQUE QUE PRODUZ PRÓTESES ATRAVÉS DE MATERIAL RECICLÁVEL.

    Inventar não é um processo fácil. É necessário um completo conhecimento de causa, para que a pessoa consiga se superar e vencer os grandes desafios que for a encontrando durante a jornada. E isso vale para qualquer situação que tenhamos que passar algum dia, seja no domínio profissional, familiar ou até mesmo a nível íntimo. Não existe uma regra, de pequenas a grandes situações, você sempre pode fazer a diferença. 

    Diferença é o que a empreendedora Marta Vânia Uetela fez. Numa combinação de visão, conhecimento, força de vontade e inspiração, criou suas startups, que têm o potencial de transformar vidas.

    Marta Vânia Uetela nasceu na Cidade de Maputo e passou maior parte da sua vida na província de Inhambane, local onde nasceram e residem os seus progenitores. Esta descreve-se como uma jovem com forte interesse em design e empreendedorismo. A mesma é estudante de engenharia e design industrial, e fundadora da Minimal LivingBox e da BioMec, duas empresas inovadoras no mercado Moçambicano.

    A Minimal LivingBox trata-se de um estúdio de design e construção modular de casas e escritórios baseada em contentores e perfis metálicos. Segundo a empreendedora “A Minimal LivingBox foi fundada com objectivo de levar ao mercado moçambicano jovem uma solução de habitação e espaço de desenvolvimento de negócios, a preço acessível, que fosse sustentável e flexível”, pois, esse tem sido um dos principais problemas para a juventude e empreendedores nos dias de hoje.

    Por outro lado, a BioMec é um estúdio que desenha e constrói próteses mecânicas baseadas em plástico coletado no mar com objectivo de levar ao mercado próteses com custo de produção controlado. Marta comentou que esta iniciativa tem como objectivo principal construir próteses em curto tempo, em 24 horas, comparado às 1080h do processo convencional, e que também tivessem atenção ao aspecto estético e ambiental.

    Importa referenciar que esta Startup foi concebido neste ano e conta com cerca de 5 meses de existência. Fazem parte da BioMec seis (06) pessoas, divididas em igual número de homens e mulheres. Questionada sobres as motivações por trás da produção de próteses, a fonte disse que a ideia surge da necessidade de dar resposta rápida à procura de próteses no país, e a baixo custo.

    A história por trás da BioMec envolve um colega meu que infelizmente sofreu um acidente no ano passado, e teve imensas dificuldades em ter acesso a prótese, quer pelo preço e quer pelo tempo. Então juntamos alguns amigos e começamos a trabalhar nisso. Mas à medida que íamos trabalhando fomos descobrindo que cerca de 90% dos amputados em Moçambique não tem acesso a prótese pelos mesmos motivos”, segredou-nos a empreendedora.

    Outra motivação que levou a criação desta iniciativa segundo a empreendedora, é abundância do material usado para a produção das próteses. Os plásticos e garrafas recolhidas no mar, de acordo com Marta são obtidos “quase de graça”. Porém, há que salientar que para ter acesso a este material, a BioMec deve ir atrás e pagar um certo valor às pequenas associações que fazem a recolha de objectos plásticos. De uma forma indireta a iniciativa consegue subsidiar e aumentar a renda das famílias que recolhem o material, acredita a fundadora da iniciativa, conforme comenta: “Existem diversas associações que fazem a recolha deste material, tudo o que nós como BioMec fazemos é ir ter e comprar este material. Na verdade também servimos de ponte porque muita das vezes as associações fazem a recolha e não tem onde vender, e o PET ainda é uma questão sensível principalmente para essa indústria transformadora. O que acontece é que boa parte do material recolhido por estas associações é exportado para ser reciclado, e com esta situação de covid-19 não estamos a exportar esse plástico, assim, cria um excedente aqui.”

    Afundadora da BioMec afirma também que o seu maior desejo com esta iniciativa é fazer com que as pessoas se sintam e tenham uma experiência de vida mais produtiva, e que tenham sustentabilidade por muito mais tempo. Até aqui a iniciativa está em fase de teste e já foram produzidas e testadas mais de 30 próteses. Marta Vânia explicou ainda que para a certificação dos produtos da BioMec, duas componentes do projecto carecem de avaliação e aprovação: a de engenharia e a médica. “Respectivamente à parte médica foram realizados todos os testes laboratoriais, testes de qualidade, entre outros. Existe outra componente médica que precisa ainda de algumas aprovações, e isso leva algum tempo. Estamos em fase de teste, estamos a produzir e não a comercializar. Só depois de alcançados os objectivos do projeto-piloto teremos as devidas certificações para comercializar”.

    Como qualquer outra iniciativa empreendedora, sempre são registados desafios e barreiras fase inicial e de implementação. Com Marta nada foi diferente. Segundo Marta, uma das maiores barreiras na implementação destes processos foi o elevado custo envolvido na construção da ponte entre a ideia e o produto final. A fonte avança que a iniciativa já conta com algum apoio, nomeadamente, mentoria e apoio directo da Embaixada da Irlanda que vai prover uma parte do equipamento de produção.

    Ademais, a empreendedora comentou ainda que espera que até o mês de Fevereiro de 2021 faça-se o lançamento oficial da iniciativa. Porém, apesar de haver uma data prevista, a fonte diz que tudo dependerá da rápida conclusão dos processos mais burocráticos de certificação do produto produzido pela BioMec. 

    Apesar das dificuldades enfrentadas, Marta mantem-se firme nos objectivos. Esforço este que lhe valeu um prémio a nível internacional, no corrente ano. A BioMec foi considerada pelo maior evento de competição de negócios verdes a nível global – ClimateLaunchPad como a segunda melhor Startup de inovação em África. De acordo com a empreendedora, este prémio serviu para validar o seu modelo de negócio e para dar visibilidade nesta fase crucial.

    Este prémio ajuda a validar o nosso modelo de negócio no sentido de que, o trabalho de mídia que iríamos fazer em dois ou mais anos fizemos em apenas alguns meses exatamente por causa deste prémio. Mas também possibilita-nos a ter este intercâmbio, ter acesso a mentores e uma rede de contactos com vários empreendedores de diversas áreas a fazerem negócios verdes.” Avançou Marta Vânia.     

    A Equipe da Revista Negócios nos Chiveve soube ainda que o processo de produção é totalmente local. As próteses são feitas de garrafas plásticas recolhidas no mar, que passam por alguns processos desde a compressão em placas ao processo de moldagem para torná-las em próteses.

    As próteses produzidas pela BioMec são baseadas em garrafas PET coletadas no mar. Se por um lado resolvemos a questão ambiental, por outro resolvemos uma questão social, visto que cerca de 90% da população moçambicana não tem acesso a próteses, quer pelos elevados valores envolvidos, tempo longo de espera e até mesmo pelo acesso aos serviços de saúde,” como já havia mencionado a fonte.

    A empreendedora descreve como um “grande desafio” o ser um empreendedor em Moçambique, e aponta varias questões como subsídio. Exemplificando por sua experiência como empreendedora, Marta diz que é muito difícil fazer a ponte entre a ideia e um produto. A falta de financiamento e a burocracia na legalização de iniciativas são alguns dos entraves marcantes no processo a nível nacional.

    Temos ainda as questões ligadas ao financiamento, desde o espaço para desenvolver o negócio e o processo todo desde o registo e a papelada toda que temos que organizar é tudo um desafio grande. Embora haja, nos últimos anos, a tendência de facilitar alguns processos, ainda continua uma coisa complicada.” Explicou Marta. Importa realçar que, a BioMec já foi registada e está neste momento no processo de certificação de produto.

    Apesar das dificuldades enfrentadas no empreendedorismo, Marta Vânia Uetela terminou aconselhando a todas mulheres a optarem pelo empreendedorismo como forma de alcançar a independência financeira. Marta está ciente que é difícil começar, mas destaca a importância de se começar com aquilo que a pessoa possui mesmo que com poucos recursos.