DO BAIRRO CENTRAL PARA O MUNDO

Dário Camal fala do seu percurso associativo e influência para mudanças a nível internacional

A vontade de fazer alguma coisa pelo bem-estar dos outos em momentos difíceis, e transformar vidas, é uma tarefa nobre. Foi desta necessidade de ajudar aos outros que, o nosso entrevistado do mês, começou a trilhar seus passos em um mundo associativo e, actualmente é um Jovem de tamanha influência politica e social a nível nacional e internacional. Dário Abdula Camal é a nossa figura em destaque, e nesta entrevista fala do seu envolvimento em movimentos socias, contributo, sonhos e ambições, e de estratégia de desenvolvimento socioeconómico do país.

Dário Camal nasceu no bairro Central na Capital do país, Moçambique, e actualmente é jovem Pan Africanista, membro do primeiro e histórico Conselho da Juventude da Comissão da União Africana e enviado especial para juventude Africana apontado pelo Presidente da Comissão Da União Africana para um mandato de 2 anos.

Entretanto, Camal tornou-se no mais jovem Diplomata da história da comissão da União Africana nos órgãos de decisão (Gabinete do presidente da comissão da UA), servindo e advogando os interesses da juventude Africana (Carta Africana e Agenda 2063).

O mesmo faz parte de diversas plataformas internacionais importantes, como a Comissão Africana para o Desenvolvimento da juventude (AYDEC) aonde é Secretário-geral Continental e Representante de Moçambique, foi ainda apontado pela realeza britânica para um mandato de 2 anos como presidente do Comité no Conselho da Juventude da Commonwealth (CYC), plataforma que engloba 1.3 bilhão de jovens. 

O percurso do entrevistado da Revista de Negócios é longo, a fonte é ainda membro representante de Moçambique no Fórum da Cooperação da Juventude Islâmica em Istambul na Turquia (ICYF), membro da direção do fórum da Juventude Afro-árabe em Kartum no Sudão, antigo presidente e primeiro africano presidente da ISA (International Students Association Worldwide) de 2017-2020), maior plataforma de jovens académicos do mundo), é também representante de Africa na Agência Juventude dos BRICS para Energia (Oil and Gas).

A Revista de Negócios, o entrevistado revelou que iniciou a sua carreira como activista social em 2006 quando o Paiol de Malhazine explodiu. A fonte diz que na altura acompanhou a explosão a partir da cidade, onde encontrava-se a trabalhar, e que não imaginava a gravidade da situação ate acompanhar os estragos pela televisão. Dai que depois de ver os estragos, Dário Camal juntou-se a alguns amigos seus para criar uma corrente de ajuda as vítimas. 

Quando cheguei a casa e vi na televisão senti que tínhamos de fazer alguma coisa, aqui foi chocante. Felizmente tinha amigos que pensavam como eu, que não eramos só amigos da juventude, e pensamos em fazer alguma coisa. Então foi por ai que ganhei aquela paixão porque nós nos unimos para mudar vida e ajudar pessoas. Recolhemos comida e outros produtos básicos porque muitas das vítimas que haviam sido afectadas estavam em casa, e as próprias casas outras estavam destruídas. Daquele movimento de amigos que para nós também era um divertimento comecei a ganhar aquela paixão e dai nunca mais parei”, revelou a fonte. 

Soube a nossa equipe de reportagem que, as actividades socias desenvolvidas por Dario Camal foram aumentando e abrangido outos beneficiários a nível nacional e internacional. A fonte conta-nos que tem desenvolvido as mesmas actividades a nível internacional em países como Etíopa, Cera-leoa, Djibuti, Rússia e Estados Unidos da América, entre outros pelo mundo fora.

Recuando mais um pouco para o início antes de viajar pelo mundo, o entrevistado conta que, a UNICEF e Cruz Vermelha formaram os primeiros movimentos mais organizados em que o mesmo fez parte como activista voluntário em 2007. No ano seguinte, o mesmo juntou a Organização da Juventude Moçambicana (OJM). Dário avançou que a educação que teve em casa o ajudou bastante a ser que é hoje, este diz que os seus avos foram sua grande inspiração devido a sua forma de ser, carácter e personalidade de querer sempre ajudar os outros.

Os meus avos eram pessoas que estavam sempre dispostas a ajudar mesmo que fosse para sacrificar um pouco o deles. E eu cresci sempre a ver sempre estas acções de pessoas solidarias, de pessoas que se importavam e queriam o bem dos outros. Então esses gestos de meus avos eram bons e demostravam que a gente poderia ser grande, as vezes não precisamos de ganhar sempre dinheiro. As vezes nem precisamos de fazer coisas muito grandes, coisas pequenas, pequenos gestos como ajudar seu vizinho entre outras coisas, saber compartilhar”, disse a fonte.

Além de casa, a fonte revela que aprendeu a compartilhar também na escola onde estudava. “Ate na escola cresci a ver pessoas que sempre ajudavam-se, e que queriam mais dar um pouco. Algumas delas que financeiramente eram superior aos outros mas que não se sentia isso quando nos sentávamos a mesa. Havia harmonia e equilíbrio total, e na minha família sempre foi assim também. Sempre vivemos em um espirito de união e, isso fez toda diferença e marca uma toda diferença em uma história de vida”, realçou o entrevistado. 

Actualmente, Dário Camal tornou-se um líder juvenil de sucesso a nível nacional e internacional naquilo que faz. Este segredou-nos que o segredo do sucesso reside na resiliência, no foco e na determinação no trabalho. A fonte defende que é preciso ter bastante foco e crença naquilo que fazemos para alcançar bons resultados desejados.  

Sucesso é relativo. Para mim sucesso é ver os outros bem e felizes, a prosperam ou ver os outros a trilharem seu caminho, a evoluírem. Ajudar ao próximo sem olha a quem, isso para mim é sucesso. Eu trilhei esse caminho porque quero deixar um legado, quero transformar vidas. Quero deixar meu contributo, no final quero que as pessoas se lembrem de mim por tudo que tentei fazer para ajudar a humanidade, em factores sectores de actuação”, disse Dário. 

O mesmo vai longe explicando que, espera que o mundo se lembre dele como alguém que batalho bastante para o bem-estar dos outros. “Eu não vim de uma família rica ou bastarda, tive uma infância extremamente normal como uma criança normal do bairro central. Cresci lá perto do ponto final e de lá para o mundo, e para mim sucesso não tem muito a ver comigo mas com aquilo que conseguimos incutir nas pessoas. Na quantidade que se inspira em nós, a quantidade de pessoas que seguem aquilo que dizemos. Dário não é uma pessoa perfeita, tem falhas, mas é uma pessoa batalhadora, sonhadora e que acredita”, acrescentou. 

A fonte afirma ainda que para aqueles que buscam realizar-se, não basta apenas sonhar. E que só sonhar é um manifestamente curto e insuficiente para aquilo que queremos fazer. O mesmo defende ainda que, deve-se fazer mais do que se sonha, deve-se batalhar e seguir os sonhos e que não há outra forma de ganhar na vida a não ser essa. 

Eu tento fazer o que é possível fazer dentro de uma sociedade, no contexto onde vive e em circunstâncias que vive. E a melhor coisa a se fazer é batalhar sempre, e tentar honrar os meus avos. Penso muitas vezes neles, e naquilo que fariam ou me diriam para fazer. Tento sempre buscar entre a razão, o que é certo, o que é errado, tento sempre buscar esse equilíbrio mental”, disse.    

Entretanto, actualmente o nosso entrevistado faz parte de grandes organizações nacionais e internacionais. A Revista de Negócios quis saber deste o nível de contributo destas organizações no desenvolvimento de Moçambique. Apesar do país ainda não estar a aproveitar como deve ser as oportunidades, a fonte diz que os ganhos são enormes e já começa-se a ver mudanças significativas em termos de influência politica e socioeconómica. 

Muitas destas organizações tem poder e uma capacidade financeira que deve ser diplomaticamente muito bem explorada e estruturada. Organizações como União Africana por exemplo podem ter um papel de relevo na situação actual de Cabo Delgado. Organizações como a SADC, onde também sou líder agora, podem ter um papel muito relevante sobre o a situação socioeconómica e juvenil, mesmo em nível de empregabilidade a nível da região”, explica a fonte.   

Entretanto, Dário Camal diz ainda que este contributo só é possível se o governo tiver um interesse ou preparado para fazer essa conexão. Defendendo que é preciso fazer um acompanhamento porque quanto mais essas organizações são, mais burocráticas são. 

Mas a uma vantagem e é muito bom fazer parte. Primeiro porque é a nossa imagem e bandeira que esta lá, segundo nós temos que levar a imagem positiva do nosso país para esses lugares. E depois, obviamente que politicamente, manter um poder de influência para se decidir em nosso favor. Cada país que vai lá representa um pouco da juventude da sua Nação, e apesar de termos algumas dessas organizações connosco, acho que ainda falta um nível de maior interação porque há muitos ganhos em termos de conhecimento, abertura de oportunidades para a juventude”, disse a fonte.     

Camal diz ainda que Moçambique ainda “é um país que se comporta como ilha” e isolado daquilo que pode ser o foco dessas organizações. Por outro lado, a fonte diz é um orgulho para essas organizações ter lá um moçambicano devido ao seu nível de influência dentro delas.

 “Quando vês jovens de outros países, por exemplo como Canadá a entrar em contacto com um moçambicano dentro da organização, consegues ver o nível de influência que esse moçambicano tem. E isso enche-me de orgulho e de prudência porque é um momento de fazermos o nosso lobby para influenciar aquilo que queremos a nosso favor como nação, não descorando as relações diplomáticas, a agenda colectiva internacional e os compromissos que a juventude tem dentro dessas organizações”, explica o jovem.   

Ainda na onda do contributo destas organizações sociais para o país, a fonte mencionou que na União Africana, um dos contributos é a “Carta da Juventude africana”, este que é o maior instrumento jurídico da história da juventude africana. De acordo com o entrevistado, se este instrumento for bem explorado obrigara o governo a criar políticas especificas para a juventude, pois o governo moçambicano assinou e ratificou esta carta. 

Este documento têm poder, e a nossa missão é levar o mesmo para o conhecimento dos jovens para que eles saibam quais seus direitos e deveres. Isso é só mais um de tantos exemplos das organizações que faço parte, e qual real poder que elas tem sobre nós. Não é só o poder socioeconómico, é também político e diplomático e, mesmo de cooperação e expansão daquilo que é a marca Moçambique enquanto nação”, acrescentou a fonte.  

Em termos de aproveitamento das oportunidades como Nação, Dário Camal afirma que não estão sendo exploradas como dever ser. “Se olharmos como moçambicanos, na minha pessoa em termos de representatividade, digamos que há um bom aproveitamento”, conta a fonte. 

O mesmo vai mais além explicando que, “Se forem a visitar o meu website na parte de oportunidades irão perceber que muitas das oportunidades tenho sempre partilhado. Tenho estado a colocar muitos jovens em programas de treinamento a nível internacional, onde os jovens líderes nacionais vão se juntar a outros líderes. Já estou a fazer isso com nosso próprio auto financiamento, e isso é bonito porque é a juventude a fazer as coisas acontecerem”, disse.

A fonte aponta ainda a situação de Cabo Delgado, onde diz que denunciou-se a nível internacional, e que a juventude fez o seu trabalho a nível internacional para esta situação. Actualmente, a juventude continua dando seu contributo, buscando parceiros que ajudem a encontrar soluções sem violar o poder enquanto país. 

E isso é importante para nós porque Moçambique é um país independente mas não pode se comportar como uma Ilha, nós precisamos uns aos outros em nível de cooperação, há muitos ganhos que podemos tirar de outros países e há ganhos que outros podem tirar connosco. Mas falta uma maior colaboração ou interação entre o próprio governo de Moçambique relativamente a isso, e a forma como nós olhamos de verdade a juventude, não marginalizando a juventude”, disse Camal.  

A Revista de Negócios, o entrevistado deixou ficar um conselho aos jovens moçambicanos. Este afirma que, aos jovens nunca devem desistir, trabalhar mais e tentar sempre ser perfecionistas. “Trabalhar mais e tentar melhorar em termos de empregabilidade. Formarem-se, manterem um foco e uma determinação na vida, isso é mais importante na vida. Portanto, não abdicarem e não venderem seus morais, cívicos, éticos e de cidadania. É muito importante ser um bom profissional, quando nós estamos organizados mentalmente, independentemente das dificuldades nós alcançamos as nossas metas”, avançou a fonte. 

Importa realçar que, Dário Camal conta com dois livros seus recém-lançados em Maputo. De acordo com o mesmo, trata-se de duas obras e um propósito. Conta que os livros foram produzidos com intuito de arrecadar fundos para apoiar as famílias vítimas de ataques em Cabo Delgado. “Fizemos os livros com intuito de ter um produto que as pessoas pudessem comprar e ao mesmo tempo se deliciar com a leitura, aumentando a nossa cultura em termos de conhecimento e mesmo tempo ajudar Cabo Delgado, é uma bala para matar dois coelhos”, disse a fonte.       

Entretanto, um dos livros, intitulado “Amor Incondicional”, trata-se de um romance que retrata uma história que se desenrola em Cabo Delgado. Enquanto a outra obra, é intitulada “Forma secreta do Sucesso”, segundo o autor é uma visão para a juventude. “É um livro para inspirar a juventude, é um livro para ajudar jovens moçambicanos como eu que tiveram dificuldades como eu, mas que podem vencer. Também é uma autobiografia, minha história de vida, e mostra o caminho que eu tive que percorrer para chegar onde cheguei”, disse o autor.

As duas obras foram lançadas no início do mês de Abril. Trata-se de uma produção nacional onde esteve envolvida na produção apenas uma equipe jovem. Os parceiros também foram empresas lideradas por jovens, e este envolvimento massivo e completo de jovens apenas, segundo a fonte era uma forma de mostrar que a juventude é capaz de resolver seus problemas.   

De destacar que, Dário Camal conta com vários prémios a nível Internacionais e destaque tais como, LYONS Mahatma Gandhi Award 2020, Bangladesh Global Youth Awards 2020, Pan African Youth Foundation 2020, 100 Most Influent Young Leader, 100 Most influential Young Leaders 2018 under 35 years according with UK Government, MIPAD Most influent Person African Descend 2019 according to United Nations. African Young Achiever of the Years 2018/2019, Afro-Arab Young Leader of the Year 2018. Afro-Arab Young Leader of The Year 2019, Qatar Youth Awards 2019, Pan African Youth Achieve of the Yeard 2018/2019, Sustainable Development Goals Awards 2016/2017/2018/2019, Red Diplom for best student abroad 2015, 2019 Ten Young African Changemakers by YouthhubAfrica, 2018 List of Formidable Man Leading Change, 2017 Young Talent Of The Year By UNLEASH e 2016 Listed in 100 under 40 Most Influential Afro-Arabs in the world.

Entretanto, o lado empreendedor de Dário é também notório. Aos 19 anos e com meios próprios adquiridos do seu trabalho na Banca, fundou o Grupo de Investimentos DCI, e os ramificou em diversas áreas, gerando dentro do grupo 5 outras empresas com serviços na área de consultorias, finanças, entretenimento, importações e aluguer de veículos de luxo, área de construção e imobiliária, gráfica, produtos e insumos agrícolas e maquinaria, e aos 22 anos estendeu e internacionalizou o seu negócio ainda como estudante para a África do Sul, Sudão, Tunísia, EAU, Rússia, Turquia, França, Itália, Estados Unidos e Reino Unido.