Não se sabe se chegou para ficar, mas uma coisa é certa: ninguém é imune ou fica indiferente a essa nova realidade.
Declarada pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o COVID-19 chegou a território Moçambicano em março de 2020, mês que marca a afetação de esforços coletivos para a contenção do vírus. E para combater esta pandemia e evitar a propagação do vírus, o governo anunciou um conjunto de medidas que visam o encerramento de diversas atividades que não sejam essenciais, assim como a limitação de outras.
O resultado que temos assistido é a quebra de receita resultante da paralisação ou do abrandamento dos negócios. Perante este cenário, encontramos a Ama Equipamentos, uma empresa Moçambicana dedicada ao fornecimento de equipamentos médico-hospitalar, portuário, mobiliário e mineiro, assim como várias PME que têm de reforçar a liquidez para sustentar os custos fixos dos seus negócios (salários, obrigações fiscais, rendas, eletricidade, gastos com prestadores de serviços, créditos, etc).
Augusto Álvaro, Diretor geral da Ama Equipamentos, disse que a empresa registou nos últimos seis meses uma queda de 80% de faturação devido a crise instalada por conta da pandemia. A Ama Equipamentos viu-se forçada a reduzir a sua massa laboral, estando a funcionar apenas com 40% dos cerca de 182 trabalhadores que a empresa detém.
De forma a assegurar a manutenção dos postos de trabalho dos outros 60% dos trabalhadores, a empresa estabeleceu um acordo com os seus colaboradores que se encontram em suas casas aguardando a melhor oportunidade para a retoma das atividades laborais, tendo em conta que das quatro áreas de atuação, apenas uma está em funcionamento, destacando-se a de fornecimento de equipamento hospitalar. Apesar da crise, a empresa tem cumprido com as suas obrigações desde pagamentos de salários, impostos e despesas correntes da instituição.
Álvaro comentou que além das medidas e pacotes de apoios anunciadas pelo governo para reagir à pandemia da COVID-19, a empresa tem estado a receber apoio moral por parte do governo através de visitas, onde procuram se inteirar sobre o funcionamento da empresa e a situação dos trabalhadores, o que para o empresário, serve de conforto para a classe empresarial no seu todo. Pois, a crise causada pelo coronavírus traz à tona desafios sociais e políticos de um mercado de trabalho cada vez mais informal e baseado em tecnologias de comunicação, sendo que esta aproximação do governo faz diferença.
Por outro lado, o empresário acredita que dias melhores virão com a abertura gradual das fronteiras, pese embora nunca ter tido restrições pelo fato de a sua empresa dedicar-se a importação de equipamento médico e hospitalar, área que mesmo com a eclosão do coronavírus no país, rendeu 400% acima da meta prevista na empresa.
Enquanto o sector de importação de equipamentos médico e hospitalar cresce de forma substancial, Álvaro disse que a mesma sorte não coube ao projecto de construção da sede nacional da empresa, cujo término e entrada em funcionamento estava agendado para o ano corrente. Referir que o projeto está avaliado em mais de $4.500.000 sendo que a sede realçará a imagem da empresa dando vida aos 10 anos que a mesma tem no mercado, contando com representações a nível nacional.
Sabe-se que a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus vai além da saúde e impacta todas as áreas da vida em sociedade. O cenário econômico é um dos mais afetados perante as recomendações de distanciamento para a proteção da população. Com a suspensão de parte das atividades comerciais e das aglomerações, profissionais autônomos e pequenas empresas foram gravemente prejudicados. Pois, enquanto não soubermos quando a normalidade se reestabelecerá, não há como calcular o tamanho do impacto nas empresas. E para esse impacto, Álvaro comentou que possui uma boa relação com os seus parceiros e/ou fornecedores, pelo fato de haver negociação, concernente ao período de pagamentos de materiais que por ventura precise para execução dos seus trabalhos, e isto facilita bastante a empresa, evitando a Banca para fazer empréstimos.
Por fim, o diretor geral da Ama Equipamentos, Augusto Álvaro, salientou que é chegada a altura de os empresários começarem a olhar para o futuro como algo incerto e ter a pandemia como mais um aprendizado e reinventar-se, pois, apesar de o apoio do governo ser importante, não atenderá integralmente a cada um dos beneficiários. É nesta hora que o empresário precisa saber como usar o dinheiro existente e abusar da criatividade, “parar não significa morrer. É tempo de aproveitar para refletir e analisar o negócio. Colocar as ideias em ordem e preparar o futuro,” afirmou!
Lembrar que precisamos estudar, discutir e descobrir formas de tratar esta crise sanitária em que o nosso país encontra-se, mas não podemos esquecer-nos da importância das empresas, já que elas também garantem os recursos necessários para a saúde e os bens vitais. Que tenhamos sabedoria, elemento cada vez mais raro no cenário mundial em que nos encontramos.