JAMAIS USE SEU SUCESSO PROFISSIONAL COMO JUSTIFICATIVA PARA SEU FRACASSO FAMILIAR

Você sabia que em média tomamos 35mil decisões por dia? Sim, é realmente um número enorme e assustador, mas a maior parte deste número vem daquelas decisões tão pequenas que por vezes nem nos damos conta que estamos decidindo, como por exemplo, a decisão sobre qual sapato usar, onde colocar o celular, “o que, onde e quando comer”, etc. 

O problema é que essa quantidade enorme de decisões gera o que é conhecido como “fadiga de decisão” que é o ponto onde a pessoa se torna incapaz de tomar “boas decisões” ou “qualquer decisão”. 

Mas, além dessas pequenas decisões existem aquelas que podem mudar radicalmente a nossa vida, decisões estas que se não forem tomadas a tempo se transformarão em arrependimento num futuro próximo. É exatamente nessas decisões que este artigo será focado, pois elas são tidas como as mais importantes.

Para melhor debruçar-se do assunto, nada melhor que ouvir em primeira mão, de alguém com experiência neste tipo de caso. Bronnie Ware é uma mulher que trabalhou como enfermeira em cuidados paliativos, ou seja, cuidava de pacientes que estavam em seus últimos dias de vida. Durante a sua jornada de trabalho, ouvia muitas histórias, na sua maioria sobre arrependimentos. Você terá a oportunidade de conhecer algumas dessas histórias para que possa chegar no fim da linha de sua vida com um sorriso no rosto dizendo “eu faria tudo de novo”.

1º – Ter vivido a vida com base nas expectativas dos outros

Nas palavras da Bronnie Ware, “este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida está por um fio, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem a metade dos seus sonhos e muitas tende a morrer sabendo que a causa de tudo isso foi alguma ou não decisão que deveria ter tomado. É incrível como a saúde nos traz uma liberdade até não termos mais.”

Pense em quantas vezes você deixou de fazer alguma coisa importante, simplesmente para agradar aos outros. Isso é comum, afinal todos queremos agradar as pessoas mais importantes para nós, decerto que em algumas delas você tem a sorte de ser retribuído pelo favor prestado, mas a maioria não, e são nesses momentos que você precisa respeitar os seus princípios e suas ambições.

Tomar uma grande decisão, como fazer o curso de medicina, por exemplo, porque é o sonho da sua avó ou mãe, vai custar-te “muito caro”, tanto ao nível financeiro como emocional. Se você é um adulto, não precisa de permissão de ninguém para tomar as suas próprias decisões e seguir aquilo que te faz feliz. É claro, seja grato quando houver apoio, mas seja determinado para assumir as suas decisões quando todos não concordarem e, principalmente, seja corajoso para assumir os riscos, pois, na realidade, o maior risco que você não deseja ter é se ver no fim da vida deitado numa maca se lamentando por todas as coisas que não fez, por receio ou medo do que os outros achariam. 

2º – Ter trabalho de mais

Nas palavras da Bronnie Ware, “todos os pacientes, do sexo masculino, sentiam falta do que não tiveram, um momento ímpar com as suas esposas e filhos. Quanto as mulheres, pouco se ouvia sobre este arrependimento, pois a maioria delas era de uma geração mais antiga em que o empoderamento da mulher não se fazia sentir. Todos os homens com quem conversei se arrependeram de ter passado tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho.”

Esta é uma situação muito delicada, pois as pessoas partilham a opinião de que o sucesso profissional advém do abandono da família, ou seja, para ter sucesso profissional é necessário praticamente abandonar a família, mas isso não é verdade, é possível dar conta dos dois. 

Alguém pode dizer, “mas eu trabalho em 2 empregos, não tem como conciliar as duas coisas”. Neste tipo de situação, a melhor solução não é ter dois empregos, mas sim, se esforçar para conseguir um que te remunere bem e dentro do horário normal de trabalho. De certa forma que, em um dado momento, será necessário sacrificar algum tempo com a família, mas isso é de caracter provisório.

Além disso, a qualidade do tempo com a família vale mais do que só quantidade. Na sua maioria, as pessoas que reclamavam de trabalho demasiado é porque não tomaram a decisão certa, e acabaram inclusos em um tipo de trabalho indesejado, ou então, foi apenas uma má gestão do tempo. Independentemente de qual for o motivo, jamais use seu sucesso profissional como justificativa para seu fracasso familiar.

3º – Ter deixado de expressar seus sentimentos

Nas palavras da Bronnie Ware, “muitas pessoas suprimiram os seus sentimentos para ficar em paz com os outros, como resultado, acomodaram-se em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem realmente eram capazes de ser, e muitas desenvolveram doenças relacionadas a amargura e ao ressentimento que carregavam.”

Vivemos numa sociedade dominada pelo ego, as pessoas não querem expressar seus sentimentos por medo de serem interpretadas como pessoas frágeis, e por via disso, desde cedo, usam uma máscara para esconder o que realmente sentem e quem realmente são. Este tipo de pessoa nunca consegue se conectar profundamente com alguém. Elas preferem viver a vida com relacionamentos superficiais, pois, dessa forma, existem menos chances de se machucar emocionalmente.

O problema é que por medo de assumir o risco, de expressar os seus sentimentos e se machucar, você corre o risco de ter uma vida superficial e nem se quer fazer falta quando for embora desse mundo, e pior ainda, você corre o risco de perceber que uma pessoa que você tanto ama partiu sem que você tenha demonstrado todo o seu amor e afecto por ela. 

Como por exemplo, podemos aprender do filme “A culpa é das estrelas” através do elogio fúnebre do Augustus Water á Hazel Grace Lancaster onde ele diz, “a questão é que nós todos queremos ser lembrados, mas a Hazel é diferente, a Hazel sabe qual é a verdade, ela não queria um milhão de admiradores, só queria um e ela conseguiu, talvez não tenha sido amada por muitos mas foi amada profundamente e isso é mais do que a maioria de nós consegue.” 

Então, é nessa perspetiva que muitos de nós acabamos ficando frustrados no final da nossa vida, porque queremos ter vários admiradores e não expressamos os nossos sentimentos. Infelizmente, isso é mais comum nos tempos actuais, pois, nem aos nossos pais conseguimos olhar dentro dos olhos e dizer um sincero “Eu te amo”. 

4º – Ter perdido contacto com amigos

Nas palavras da Bronnie Ware, “frequentemente, os pacientes não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até chegarem às suas últimas semanas de vida. Nem sempre era possível rastrear essas pessoas, muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos, e tiveram muitos arrependimentos profundos por não ter dedicado tempo e esforços as amizades.” 

Todo mundo sente falta dos amigos quando esta morrendo. Quando entramos numa rotina corrida de trabalho e obrigações pessoais, a primeira coisa que é deixada de lado são as amizades, e se não tomarmos cuidado, aquelas pessoas que foram tão importantes em nossas vidas e que nos fizeram experimentar momentos inesquecíveis vão se afastando cada vez mais, até ao ponto de duvidares se vocês ainda são amigos. Isso é muito triste! 

No final das contas, o que mais importa nessa vida são as pessoas, principalmente pelo facto delas serem passageiras assim como você. 

5º – Não se ter permitido ser mais feliz

Nas palavras da Bronnie Ware, “esse é um arrependimento surpreendentemente comum, muitos só percebem no fim da vida que a felicidade é uma escolha, as pessoas ficam presas a antigos hábitos e padrões. O famoso conforto das coisas familiares e o medo da mudança fizeram com que elas fingissem para os outros e para si mesmo que estavam contentes, quando no fundo ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo.”

Acredito que este ponto resume todos os outros. Tenha coragem de fazer aquilo que você deseja, de ser quem realmente você é e de expressar seus sentimentos para as pessoas que você mais ama, se existe alguma fórmula para a felicidade, essas coisas com certeza fazem parte dos ingredientes.

Salientar que este artigo foi baseado no livro da Bronnie Ware, denominado “Antes de partir: os 5 principais arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer”. 

E a questão que deixo para você que está lendo este artigo é a seguinte: 

QUE TIPO DE DECISÃO (OU NÃO) TENS TOMADO PARA A SUA VIDA?

Por: David Franco