Segundo os dados recolhidos em Janeiro pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a Cidade da Beira registou uma subida do nível geral de preços a nível nacional, comparativamente ao mês anterior na ordem de 2,09%. O sector Alimentício e de bebidas não alcoólicas tiveram o seu maior destaque, com uma contribuição no total da variação mensal em cerca de 1,85 pontos percentuais (pp) positivos.
Os dados recolhidos nas Cidades de Maputo, Beira e Nampula, em Janeiro, indicam que o País registou um aumento mensal do nível geral de preços na ordem de 1,18%. Os sectores de alimentação e bebidas não alcoólicas, vestuário e calçado, destacaram-se ao contribuírem no total da variação mensal com cerca de 0,84 e 0,12 pontos percentuais (pp) positivos, respectivamente.
No entanto, ao desagregar a variação mensal por produto, destaca-se o aumento do preço do tomate (12,4%), do coco (18,7%), do peixe seco (5,5%), do óleo alimentar (6,1%), de capulanas (3,3%), do arroz em grão (3,8%) e da couve (11,0%). Estes foram responsáveis por cerca de 0,75pp positivos do total da variação mensal. Contudo, alguns produtos com destaque para a cebola (6,4%), a galinha (2,6%), a mandioca fresca (15,6%), o camarão fresco (6,3%), o limão (28,0%), as sandes de fiambre, queijo, ovo, linguiça, mistas e similares (4,7%) e a batata-doce (5,1%), contrariaram a tendência de aumento, ao contribuírem com cerca de 0,16pp negativos.
De acordo com o estudo sobre a variação mensal nos três pontos de recolha, que servem de referência para a inflação do país, conclui-se que a Cidade da Beira teve no período em análise uma variação mensal mais elevada (2,09%), seguida da Cidade de Nampula (1,13%) e por fim, a Cidade de Maputo (0,87%). Em relação a variação homóloga, a Cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 4,97%, seguida da Cidade da Beira com cerca de 4,70% e por último a Cidade de Maputo com 3,42%.
Na Cidade da Beira, ao discriminar a variação mensal por produto, destaca-se a subida do preço do tomate (18,2%), da couve (25,6%), do peixe fresco (4,0%), do repolho (21,3%), de capulanas (5,3%), do coco (20,6%) e do óleo alimentar (3,8%), com uma contribuição no total da variação mensal de cerca de 1,74pp positivos.
Entretanto, alguns produtos, com destaque para as sandes de fiambre, queijo, ovo, linguiça, mistas e similares (13,9%), a cebola (4,0%), o camarão seco (4,1%), o frango (1,4%), os hambúrgueres (1,9%), os sabonetes (1,8%) e os telemóveis (2,3%), contrariaram a tendência geral de subida de preços ao contribuírem conjuntamente com cerca de 0,21 pp negativos.
Segundo o INE, comparativamente a igual período do ano anterior, os preços do mês em análise, registaram um aumento na ordem de 4,70%. Os sectores de Alimentação e bebidas não alcoólicas e de Mobiliários, artigos de decoração, equipamento doméstico e manutenção corrente da habitação destacaram-se ao variarem com cerca de 9,53% e 8,24%, respectivamente.
Importa realçar que, o Observatório do Meio Rural (OMR) realizou, também, um trabalho de análise de preços de bens alimentares e não alimentares nos principais mercados das cidades de Maputo, Beira e Nampula. O objectivo do trabalho era analisar e acompanhar as flutuações dos preços nestas cidades consideradas para o cálculo da inflação da economia no seu conjunto.
Entretanto, para a análise dos preços, foi seleccionado um conjunto de produtos que, não só compõem a cesta básica nacional definida pelo Ministério da Saúde, como também, foram considerados bens que fazem parte dos hábitos alimentares nas três regiões, do volume de comercialização e da oferta nos mercados.
Importa referenciar que, o OMR objectivou a sua análise de preços nos principais mercados das três cidades em análise. Na cidade de Maputo, a recolha de preços ocorreu nos mercados Central, Fajardo, Xiquelene, Zimpeto e Xipamanine. Na Cidade da Beira, os preços foram recolhidos nos mercados Central, Chingussura, Maquinino, Mascarenha e Praia Nova. Em Nampula, os mercados abrangidos foram Central, Matadouro e Waresta. Consideraram-se estes como os principais mercados pela dimensão, localização e distribuição geográfica.
Neste estudo mensal, apresenta-se somente a evolução dos preços de produtos, tais como farinha de milho, arroz, massa esparguete, amendoim descascado, coco, feijão-nhemba, mandioca, tomate, cebola, batata-reno, repolho, sal, açúcar castanho, óleo alimentar, peixe carapau, frango, ovos, banana e carvão. Os preços foram verificados no primeiro dia (6 de Janeiro) e no último dia de recolha de informação (27 de Janeiro).
De um modo geral, relativamente ao mês anterior, verifica-se que os preços dos 19 bens analisados apresentaram variações importantes em cada cidade. Nove Produtos tiveram variações superiores a 10% durante o mês. Verifica-se uma tendência de aumento na maior parte dos produtos.
A média das variações dos 19 bens foi superior na cidade de Maputo. Entre as cidades, observa-se que a cidade de Maputo se destaca pela subida no preço do coco (35%), do sal (29%), e do óleo alimentar (12%). Na Cidade da Beira verifica-se um aumento no preço do repolho (15,8%), do óleo alimentar (14,4%), e redução no preço do tomate (-11,1%).
Em Nampula constata-se o aumento no preço de produtos, como amendoim e repolho (11%), feijão-nhemba (25%), babata-reno (18%), e óleo alimentar (10%). Registou-se, ainda, uma redução no preço da mandioca (-33%) e do frango (-17%). A maior variação percentual de preço foi registada na cidade de Maputo com 35% para o coco.
Entretanto, relativamente ao preço médio no mês de Dezembro, somente três produtos mantiveram os preços estáveis nas três cidades em análise, que são o açúcar castanho e peixe carapau, nas cidades de Maputo e Nampula, e carvão nas três cidades.
De acordo com os cálculos efectuados, na Cidade de Maputo, os bens cujo preço médio registou uma grande subida relativamente ao mês anterior foram, a cebola que aumentou em 21,11 meticais, óleo alimentar em 59,53 meticais e repolho em 16,87 meticais. O que mais baixou foi a batata-reno em 34,72 meticais. Na cidade da Beira, os maiores incrementos no preço médio foram igualmente registados no óleo alimentar em 68,05 meticais e na cebola em 35,00 meticais.
Em Nampula, a maior redução de preço foi registada na batata-reno em 25,83 meticais, e os maiores aumentos no preço médio foram em produtos como tomate em 28,18 meticais, cebola em 108,17 meticais e açúcar castanho em 55,50 meticais. Ocorreram algumas reduções observadas no preço do peixe carapau em 40,00 meticais, frango em 113,33 meticais, ovos em 71,82 meticais e banana em 26,33 meticais.
A Cidade de Maputo continua sendo a cidade com maior número de produtos com preços médios mais elevados em produtos importados, como arroz e banana, e os de produção interna, como coco, feijão-nhemba, mandioca, tomate, frango, repolho, e carvão.
Na cidade da Beira, os produtos com preço médio mais elevados foram os importados, como peixe carapau e a cebola, os de produção interna, como amendoim, e industrializados, como o sal e açúcar castanho. Na cidade de Nampula, os produtos que apresentaram preços médios mais elevados foram, os produtos importados, como a batata-reno, os industrializados, como a farinha de milho, a massa esparguete e o óleo alimentar, e o de produção interna, como ovos.
De acordo com o ORM, as diferenças nos preços médios dos bens, de modo geral, podem ser justificadas pela proximidade entre os mercados e os locais de origem dos produtos, incluindo a importação. A organização aponta ainda a distância entre as zonas de maior produção e de consumo, a localização e os preços praticados pelas indústria, a possível circulação de informação sobre os preços nos e entre os mercados. E por fim, fala-se ainda da época de colheita, as estruturas de mercado e as funções de grossista e retalhista e da pandemia do COVID-19.
O estudo aponta ainda que entre os mercados, constata-se que o mercado do Zimpeto, na cidade de Maputo, Maquinino, na Beira, Waresta, na cidade de Nampula, são os que, geralmente, apresentam preços inferiores em relação aos outros mercados. Este facto pode ser justificado pelas características que estes mercados apresentam desde a existência de uma mistura de agentes económicos, grossistas e retalhistas. Nas três cidades, os preços nos mercados centrais são, geralmente, os mais elevados justificando-se pelas razões de localização e tipos de compradores e os preços mais elevados de compra retalhista ao produtor ou ao comerciante grossista.
Por: Nádio Taimo/Maputo-Fevereiro de 2021
NB: Este artigo foi baseado nos relatórios mensais do INE e ORM