Author: Olimpio Mangue

  • MARLENE DE SOUSA-UMA MULHER COM A VIDA RESUMIDA EM RECURSOS HUMANOS

    Natural de Quelimane e com 31 anos de idade, Marlene de Sousa é licenciada em relações internacionais pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Fez a pós-graduação em gestão de recursos humanos e mestrado em Políticas de Desenvolvimento de Recursos Humanos. Marlene é fundadora de empresa ATITTUDE e de várias outras iniciativas na área de recursos humanos.

    Á Revista Negócios no Chiveve, Marlene de Sousa revelou que no 2º ano de licenciatura em Relações Internacionais descobriu que o curso que seguia não era sua paixão, contudo, viu-se obrigada a concluir. Na verdade, a nossa entrevistada descobriu que Recursos Humanos é a sua grande vocação, e atualmente a sua vida gira em torno deste mundo.

    Em 2014, Marlene de Sousa regressou a Moçambique depois que concluiu os seus estudos em Portugal. Chegada ao país, enfrentou o dilema do desemprego, tendo ficado mais de 4 meses enviando curriculum através de email para várias empresas tentando conseguir uma colocação, e apenas foi aceite para um estágio depois de várias tentativas.  

    Fiquei 4 meses sentada no sofá a mandar emails a procura de emprego. Acho que muita gente que estuda fora acredita que ao voltar consegue logo. Mas, na verdade é preciso também empenhar-se. E depois de muitos emails consegui uma oportunidade de estágio numa empresa de consultoria e fiquei por 6 meses.” Conta Marlene.

    Quando estava em Portugal, ela sempre pensava que ao voltar para Moçambique iria fazer algo diferente e com verdadeiro impacto na vida das pessoas. Marlene acreditava que no seu regresso pudesse mudar também a percepção do país aos olhos do mundo. Importa realçar que, a mesma esteve envolvida em causas sociais após o seu regresso.

    Fui desde sempre muito inconformada com tudo e, sempre no meio de debates para posicionar as minhas ideias e aquilo em que acredito. Quando voltei para Moçambique em 2014, juntei-me a mais algumas amigas e criamos a Karingando e dedicávamos os sábados a recolher material escolar nas papelarias e fazíamos doação para crianças carenciadas”, disse a Marlene de Sousa.  

    A carreira profissional de Sousa começa nesta empresa onde esteve como estagiária. Ela afirma que esta empresa foi para ela mais uma escola, onde por ser uma empresa pequena esta realizava tarefas para além da área de RH, na qual ela é também formada, tendo tido a oportunidade de trabalhar na área comercial. Esta oportunidade de envolver-se em quase todas áreas dentro da empresa contribuiu bastante para que a mesma pudesse criar a sua própria empresa no ano seguinte.    

     “Tinha uma líder que percebeu que eu tinha asas e queria sempre voar mais alto, e este nunca cortou as minhas asas. No final de tudo aprendi muito, mas acredito que a minha vontade de fazer mais e a ambição de mudar as pessoas e o país é que fizeram com que não me limitasse e fosse atrás daquilo que é o meu potencial completo. E eu tenho dito que isso chama-se a minha “ATITTUDE”, que é a empresa que fundei em 2015 e tenho um orgulho tremendo do trabalho que toda equipa tem feito a nível nacional e muito recentemente a nível internacional.” Disse a entrevistada.

    Nos últimos cinco anos, a empresa ATITTUDE tem crescido a um ritmo bastante satisfatório segundo a entrevistada. Importa ainda mencionar que através desta empresa, Marlene conseguiu criar um evento de referência no mercado moçambicano, conhecido como “Fórum RH”, organizado e gerido por uma equipa de profissionais jovens bastantes comprometidos com a área de recursos humanos. O Fórum de RH que nasceu em Moçambique atravessou fronteiras e já acontece em alguns países lusófonos.

    Para além de Moçambique, neste momento, o mesmo evento está em Angola, Cabo Verde e Portugal. Somos referência. Para além do evento, temo-nos posicionado cada vez mais com clientes em diferentes indústrias no que diz respeito ao recrutamento, consultoria de RH, e apoio ao set-up de multinacionais. No entanto, não posso dizer que alcançamos a nossa visão, pois ainda temos muito que aprender com o mercado, e o nosso foco tem sido a busca de soluções que nos diferenciem e nos posicionem.” Defendeu a fonte.

    Á Revista de Negócios no Chiveve, Marlene De Sousa avançou que a ATITTUDE é a empresa que organiza e gere o Fórum RH, e estas duas iniciativas estão relacionadas directamente e, que são o seu negócio principal. Entretanto, no início esta contava com uma equipa da ATITTUDE que dedicava-se ao Fórum em Moçambique. Hoje, devido ao plano de expansão, criou-se uma estrutura mais alargada do Fórum RH que rompe as barreiras internacionais.

     “E esta equipa 100% focada no desenvolvimento das actividades do Fórum, trabalha com a área de comunicação, imagem, contacto com parceiros, criação de estratégia do Fórum adaptada aos diferentes países. Temos um projecto muito estruturado em termos de expansão e estamos focados neste sentido, e acho que vale a pena ficarem atentos porque vem muitas novidades em 2021”, avançou a fundadora.

    Segundo a fonte, ATITTUDE a partir de 2021 vai se posicionar exclusivamente com o Fórum RH. Esta defende que o foco da empresa é trazer soluções para o desenvolvimento dos Recursos Humanos em Moçambique e em África. Porém, para quem pensa que a vida de Marlene de Sousa resume-se nestas duas iniciativas, engana-se.

    Além da ATTITUDE e o Fórum de RH, a nossa entrevistada está envolvida em outras iniciativas como é o caso da Cimeira Lusófona de Liderança e a Mozambique Marketing Summit. Em linhas gerais, a Cimeira Lusófona de Liderança é um evento com objectivo de reunir líderes dos países lusófonos para trazer diferentes abordagens no que diz respeito a liderança. Segundo revelou Marlene, está iniciativa foi criada por ela e uma amiga, Anabela Chastre.

    O meu espírito empreendedor, e a visão de uma rede de contactos alargada, acaba por fazer com que eu me envolva em mais iniciativas. E foi então que com a Anabela Chastre criamos a Cimeira Lusófona de Liderança. Criei também o Mozambique Marketing Summit e, depois convidei duas pessoas a fazerem parte deste projecto para que fosse possível dar continuidade a todos os outros projectos. Eu diria que como empreendedora, estarei envolvida em muitos eventos porque gosto de networking e é bastante importante para o sector em que estou”, disse à Revista Negócios no Chiveve.

    No mundo de RH a nossa entrevistada é uma figura bastante conhecida e brilhante a nível nacional. Questionada sobre os seus desafios, Marlene de Sousa diz que o seu desafio atual é garantir que toda a sua equipa esteja alinhada com a visão da empresa, e que todos continuem a entregar-se com a mesma qualidade que aquela demonstrada desde o início da iniciativa. 

    Eu diria que outro grande desafio atual tem sido comigo mesma. Chega uma fase do negócio em que precisamos de ter a capacidade de olhar para o nosso negócio “com olhos” de quem está por fora. Isso dá-nos a possibilidade de reduzirmos os erros e de criarmos estrutura para continuarmos a dar o próximo passo”, apontou a entrevistada.

    Recentemente a empreendedora lançou um livro intitulado “Mundo RH em Moçambique”. Questionada sobre os porquês de embarcar no mundo da literatura, esta refutou a possibilidade de torna-se uma escritora afirmando que o livro surge como mais uma forma de posicionamento no sector dos recursos humanos e para trazer referências. Posicionamento este apoiado com a defesa da empreendedora de que “as pessoas só mudam através de histórias, e é disso que se trata”. 

    A ideia do livro surge porque eu tenho dito sempre que o país tem poucas referências, e as poucas que existam preferem ficar escondidas e não partilham sobre os seus desafios e o que fizeram para se tornarem pessoas bem-sucedidas. E tendo em conta o posicionamento da ATITTUDE de estar entre as melhores empresas de RH do país, achamos que seria um excelente projecto entrevistar quem trabalha nesta área para que possamos então criar referências na área e, fazer com que os futuros líderes de RH tenham uma visão de impacto na sua gestão”, defendeu Marlene de Sousa.

    Para a criação do livro a fonte conta que, estabeleceu primeiro o objetivo principal do mesmo, de seguida criou um guião de questões que foram enviadas aos Directores de RH. Estes responderam as questões que foram depois organizadas uniformemente por uma colega empreendedora, a Carina Fernandes, gestora de conteúdos. Concluído o processo de compilação do conteúdo, o mesmo foi depois enviado para uma editora em Portugal.

    A Editora RH fez a revisão, paginação e proposta da capa. O Título foi dado pelo Director de RH do Grupo TAP Portugal, Pedro Ramos que foi partilhando comigo também ideias de como o livro deveria ficar. Sou uma pessoa que facilmente pede ajuda, acredito que é o melhor e mais rápido jeito de “fazermos acontecer.” Disse a fonte.

    O Livro foi compilado em apenas 6 meses, segundo Marlene este recorde deve-se ao fato de se tratar de testemunhos. A fonte vai mais fundo afirmando que não existe nenhuma componente científica e estudos no livro, e que o mesmo foi baseado nas necessidades do mercado, e da autenticidade das pessoas de forma geral. Marlene de Sousa diz que o livro é destinado aos futuros profissionais de RH.

    Vai inspirá-los e fazê-los perceberem como se chega a Director de RH das maiores empresas do País. E de forma geral, estas histórias inspiram igualmente a qualquer profissional que queira ter sucesso na sua carreira. Voltaremos a ter uma segunda edição do mesmo livro para Moçambique em 2022. E neste momento estou a planear um livro na mesma vertente mas não apenas para Moçambique”, avançou a mesma.   

    Segundo a autora do livro “Mundo RH em Moçambique”, a maior dificuldade que enfrentou para publicar o seu livro, foi a falta de financiamento. Esta afirma que para poder concretizar o sonho teve de fazer investimento. “Mas eu digo sempre que o que motiva os empreendedores são desafios, vivemos deles e os verdadeiros empreendedores rapidamente se focam em soluções para alcançar os seus objectivos. E isto descreve-me na perfeição”, disse a fonte.

    Fazendo uma avaliação do papel da mulher na sociedade contemporânea, Marlene de Sousa defende a necessidade das mulheres acreditarem mais em si próprias. Diz ainda que as mulheres deveriam arriscar mais ou fazer mais, dando exemplos de algumas mulheres que já fazem e com impacto. Mas que ao seu ver ainda são muito poucas.

    Precisamos de mais mulheres que acreditem em si, que não precisem de validação e que tenham foco naquilo que as faz felizes e não naquilo que a sociedade construiu como imagem para elas. Mas como tudo faz parte de um processo, acredito que cada vez mais teremos mulheres a fazerem a diferença, em vários sectores em vários cargos de liderança e que vão perceber o papel fundamental e responsabilidade que têm na sociedade”, salienta.

    Marlene aconselha a mulher moçambicana para que, “olhe para dentro dela, e avalie o que tem de mais forte e de mais fraco”. Esta defende que, a mulher deve pegar na fraqueza e torna-la sua maior força.

    E que viva a sua vida pessoal e profissional da forma que a faz feliz e esqueça que a sociedade criou uma imagem que tem formatado milhares de mulheres para uma vida igual a todas as outras que já existem. Eu acredito em uma vida, e acho descabido não fazermos o que gostamos e sermos aquilo que sonhamos ser neste único momento que temos o poder de fazer. Por isso acreditem mais, não tenham medo de falhar porque as falhas é que nos ajudam a crescer e vivam uma vida feliz e sejam a vossa própria e melhor versão”, concluiu a Marlene. Importa referenciar que, a mesma espera que cada um dos moçambicanos nas suas diferentes áreas de atuação façam mais, sejam focados em soluções para que em conjunto possa-se criar um elevado impacto no desenvolvimento do país.

  • Jovem de 25 anos cria residências para arrendamento na base de contentores na cidade da beira, em moçambique.

    O jovem, natural da Cidade da Beira, é conhecido por sua determinação, criatividade e força de vontade, pois é atento à evolução dos negócios como chave para se destacar no mercado competitivo desde o tempo do colono. Esta veia beirense engloba todas as camadas da sociedade, tanto aquelas guiadas pela necessidade, quanto as que se agarram às oportunidades, e é essa natureza empreendedora que está cada vez mais em evidência no mundo dos negócios por parte de muitos jovens na cidade da Beira, e dentre eles temos o jovem empreendedor Uria Simango.

    Uria Simango é um jovem de 25 anos, natural da cidade da Beira e recém-formado pela Universidade AFDA na vizinha África do Sul na área cinematográfica. Uria é apaixonado pela cinematografia a muitos anos. Porém, nos últimos tempos, inspirado por um modelo de casas no sector imobiliário sul-africano, decidiu imitar para solucionar alguns problemas, e inovar neste sector na cidade da Beira, edificando casas na base de contentores.

     Sabe-se que a inovação é uma grande aliada em diversos setores da economia, seja para dar mais sustentabilidade, proporcionar mais vendas, conforto, segurança ou ainda trazer mais facilidade para os clientes. E no mercado imobiliário, a inovação pode potencializar os serviços de uma imobiliária, proporcionando diferenciais competitivos que podem fazer a diferença na hora que o cliente toma a decisão. Foi nesta visão que Uria resolveu empreender neste sector, visto que o mercado imobiliário na cidade da Beira vem crescendo a cada dia, porém, cada vez menos inovador, o que chama atenção dos jovens mais atentos a este sector.

    O jovem empreendedor pretendia construir casas na base de contentores apenas para estudantes, mas por falta de fundos resolveu embarcar para a construção de residências para arrendamento com base no mesmo material. Com apenas 3 contentores, Uria inovou e transformou cada um dos contentores em residências com quartos suíte, isolamento térmico, material sanitário e totalmente mobilada o que garante comodidade a quem procura por serviços de hospedagem ou arrendamento de casa na cidade da Beira.

    Uria comentou que para idealizar o projecto de empreender foi necessário muito planeamento e estudo de mercado imobiliário local para tirar a ideia do papel. “Eu decidi unir o planeamento e o estudo à ação. Tudo tem que andar em conjunto para a validação de uma ideia, que no meu ponto de vista, não vale praticamente nada sem ação. Primeiro estudei sobre o mercado de negócios local, estudei ainda mais sobre o mercado imobiliário e depois consegui tirar a ideia do papel.”

    Uma vez finalizada a construção das casas, surge o desafio de divulgar o projecto pois reina uma incerteza por parte das pessoas por tratar-se de contentor e achando que o seu interior seria inadequado para acomodação, devido ao calor que caracteriza este tipo de material, muitas vezes usado para o transporte de carga e armazenamento de mercadoria. O que levou Uria a encontrar melhores formas de assentar o projecto no mercado beirense, conhecido como um dos mais difíceis e monótonos que existem a nível nacional. 

    Entretanto, como diz o velho ditado “Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência.” Foi na paciência do Uria Simango que surgiu o seu primeiro destaque no mercado local. Uria lembra que após a passagem do Ciclone Idai este pensamento que as pessoas carregavam mudou drasticamente, pois houve muita procura de casas para arrendar por parte de algumas organizações não-governamentais e singulares o que chegou a render-lhe cerca de 150.000.00 meticais de lucros mensais superando suas expectativas aquando da criação do projecto, o que lhe proporcionou uma outra visão para a expansão do projecto e modernização do mesmo.

    Uria destaca que, para quem pretende começar um negócio, é necessário entender que o estudo, a pesquisa e a ação fazem parte do processo. “Estude e pesquise para entender o mercado e tenha ação para não ficar apenas no papel e sem validação. A primeira versão não precisa ser perfeita, até porque o feito é melhor que o perfeito. Coloque uma versão simples no mercado e colete feedbacks diários com os clientes. Também é importante montar uma equipe com propósito, você pode ser o ‘dono’ da ideia, mas só irá conseguir atingir grandes resultados com uma equipe qualificada em todas as áreas. Ademais, desafio aos jovens para que sejam mais ousados e não temam em arriscar pois há clientes para todo tipo de negócio, desde que seja lícito, por exemplo, no princípio tive receio em apostar neste negócio, mas, hoje sinto-me muito feliz porque consigo pagar as minhas contas por causa desta atividade e também emprego três Jovens que trabalham na limpeza e manutenção das casas. Em breve pretendo construir mais casas feitas na base de contentores, sendo neste momento um desafio localizar espaço estratégico para implantação do projecto. Então, nós jovens devemos deixar de nos apegar apenas ao diploma ou área de formação e começar a ter espirito criador e inovador, criando o seu próprio emprego e, por conseguinte, mais postos de trabalhos, sobretudo neste período de pandemia da Covid-19 são muitas oportunidades que vem surgindo no mercado, cabe a cada um de nós saber investir e trabalhar.” Concluiu o jovem empreendedor.

    Então, o aprendizado ficou! Se você quiser investir nesse ramo a dica é nunca deixar de estudar e estar sempre atento ao que acontece no mercado, principalmente nas necessidades dos possíveis clientes. 

  • SER EMPRESÁRIO EM MOÇAMBIQUE

    Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Procure definir seu grande sonho e corra atrás para não perder-se pelo caminho

    Este é um conselho direccionado a camada juvenil que pretende entrar no mundo empresarial. De acordo com o empresário Salimo Abdula, a identificação e definição de um único sonho é o passo primordial para o alcance do sucesso empresarial desejado por muitos. “Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Procure definir o seu grande sonho e corra atrás para não perder-se pelo caminho atrás de vários sonhos que não nos levam a um caminho predefinido”, exorta.

    Natural da cidade de Quelimane, província da Zambézia, Salimo Abdula passou uma parte da sua infância na aldeia de Maruro cujo língua natal daquela região é Cena. O seu pai é natural de Inhambane e sua mãe é da província de Sofala, Salimo Abdula é um empresário moçambicano de grande gabarito. Fora do mundo empresarial, Salimo é um homem de família, com 3 filhos todos rapazes. Há mais de 30 anos, o empresário mudou-se para capital onde afixou-se e desenvolve as suas actividades empresariais.

    Importa realçar que, a educação que Salimo teve em casa o ajudou de alguma forma a tornar-se nesta figura reconhecida no panorama empresarial nacional assim como também internacional. Este diz que os seus pais não tinham posses financeiras mas tinha bases, valores e princípios muito apurados. Entretanto estes valores em que Salimo e seus irmãos foram educados, são valores que lhes valem muito actualmente.

     O empresário fala ainda de uma ajuda em termos de educação, ensinamentos estes mais virados para questões éticas, civilizacionais e de como lhe dar melhor em um ambiente formal. Para estes ensinamentos, Salimo destaca os tios Carimo e Baiana, como formadores. Estes tios receberam Salimo na sua residência para que continuasse com os estudos porque na aldeia onde os pais do empresário viviam não haviam escolas. Este fez o ensino primário em Quelimane, e com a transferência dos pais para Ilha de Moçambique Salimo também mudou-se e continuou os estudos lá. Em Nampula, o empresário frequentou o Instituto comercial, e depois mudou-se para Beira e mais tarde para Maputo, tudo para continuar com os estudos.

    Na Cidade da Beira, Salimo concluiu o Instituto comercial e foi afecto a Direcção provincial de Comercio. Porém durante esta estadia na Beira, o empresário nos tempos livres desenvolvia uma actividade de renda numa empresa de Engenharia. Mas, antes mesmo de mudar-se para Beira, Salimo já tinha uma experiência de trabalho adquirida ainda na infância. Segundo o mesmo com seus 13 anos de idade, em Quelimane ocupava-se desenvolvendo actividades em um Bar para poder ajudar na economia familiar.

    Ainda na Beira, o empresário esteve envolvido no mundo desportivo. Salimo Abdula foi um jogador de basquetebol no clube Palmeiras da Beira, e conheceu Maputo através do Clube Palmeiras. Este veio a capital para um campeonato nacional e, depois de mudar-se para Maputo jogou pelo Clube de Maxaquene onde foi campeão na altura. Mas a carreira de jogador viria a terminar depois da sua saída do Maxaquene ao Clube de Madjedje de Maputo.

    Em entrevista a Revista de Negócios de Chiveve, Salimo Abdula revelou os passos e o caminho percorrido desde o início até torna-se um grande empresário “sustentável” como considera-se. Entretanto o princípio de tudo não foi um mar de rosa, Salimo Abdula conta que entra no mundo empresarial depois de adquirir uma empresa totalmente falida e abandonada. Iluminate é a empresa de engenharia electrotécnica adquirida pelo nosso entrevistado, nesta empresa a fonte já fazia parte como trabalhador na Cidade da Beira.    

    Quando eu estava na Beira a estudar fazia parte de uma empresa chamada Iluminate, uma empresa que vendia material eléctrico e fazia obras de engenharia electrotécnica. Depois mais tarde esta empresa, de acordo com a Lei antiga quando os proprietários abandonavam uma empresa mais de 90 dias a empresa era intervencionada pelo Estado, e foi neste sentido que, eu como tinha uma das procurações acabei sendo contactado pela empresa a perguntar se eu queria candidatar-me. Nenhum dos trabalhadores quis se posicionar porque a empresa estava abandona e foi assim que eu entrei para o mundo empresarial”, conta Salimo Abdula.

    A fonte afirma que enfrento diversas dificuldades ao entrar no mundo empresarial. Mas apesar dessas dificuldades continuou ate tornar-se em grande empresário. Salimo Abdula já ocupou diversos cargos no mundo empresarial. Antes de completar seus 20 anos de idade, o nosso entrevistado já ocupava o cargo de Presidente de Conselho de Administração na Iluminate, sua primeira empresa. Tempos depois fundou outra empresa denominada “Eletrosul”, e actualmente é PCA do Intelec Holdings, uma companhia que está na lista das 10 melhores Holdings de Moçambique. 

    De realçar que através desta companhia, Salimo Abdula ocupou ainda os cargos de Presidente de Conselho Administrativo da Vodacom, Administrador do Banco Único, e Banco ICB, todas empresas participadas. “Já fui Presidente da Direcção e Presidente de Mesa da Assembleia na Associação das Confederações Económicas de Moçambique (CTA). Fui também deputado na Assembleia da República na primeira Legislatura Multipartidária”, contou a fonte.

    Questionado sobre os porquês de abandonar a vida politica e seguir a vida empresarial, Salimo Abdula afirmou que decidiu continuar como empresário, vida que já levava muito antes de entrar para a Assembleia da República. O mesmo acrescenta que é um indivíduo de princípios e que evita conflitos de interesses, elementos estes contribuíram bastante para que tivesse um bom nome e reputação no mundo empresarial a nível nacional e internacional.   

    Eu sou uma pessoa de princípios como disse de princípio, sou uma pessoa de princípios porque aprendi questões de valores. Evitar o conflito de interesses é muito bom, e muito importa porque muito das vezes somos jogadores e árbitros. Isso é perigoso, e já me referenciei isto muitas vezes. Nós temos problemas sérios no país quando temos conflitos de interesses, pessoas que estão no sector político que depois eles mesmo tomam decisões em relação há aquilo que é a arena empresarial onde estão envolvidos”, afirma o empresário.

    O empresário diz ainda que entrou para a política vindo do ramo empresarial, em um momento que iniciava a primeira legislatura multipartidária e havia necessidade de quem já estava na arena empresarial ajudar o país num foco da nova era.

    O Governo que tínhamos vinha da economia centralizada, não sabia o que era economia do mercado. Então como empresário aceitei juntar-me a esta primeira fase da república, era a primeira vez que havia muitos partidos no parlamento. Mas ao longo dos 5 anos verifiquei que as minhas empresas estavam em decadência, este era um grande risco. Ou eu continuava com a vida politica ou fica numa situação difícil, lembro-me que a minha esposa estava na medicina e teve que deixar para ajudar a empresa porque eu estava muito ausente. Tive que tomar uma decisão, queria continuar com a vida empresarial e abandonei a política no final do mandato de 1999. A partir do sector empresarial abracei a vida associativa, era uma forma de ajudar o país sem estar ligado directamente a politica”, conta o empresário.  

    Ainda falando da sua saída na vida politica para evitar também o conflito de interesses, a fonte vai mais a fundo exemplificando com um jogador de futebol. Salimo Abdula afirma que o jogador deve lutar apenas pela equipe que veste a camisola, e quando acabar pode seguir para o outro clube. E que tudo é questão de princípios e ética apenas.

     “Sou um individuo de causas, quando abraço uma causa visto aquela camisola e vou lutar dentro daquilo que são os princípios que me propus defender. Por exemplo estive na CTA, lutei pela CTA até entregar meu mandato, hoje não tenho responsabilidade directa mas tenho responsabilidades morais. Se eu amanhã abraçar a administração de uma entidade que eu aceitar, e que seja empresarial eu vou defender essa camisola. É questão de valores e princípios, é como um jogador de futebol, se ele estiver a jogar por um clube deve lutar por aquela camisola. E quando acabar tem o valor moral mas ele não é obrigado, se for para outro clube pode deve vestir a camisola daquele clube e lutar por aquele clube. É um pouco isso o valor da ética de governação corporativa que tenho defendido”, explicou.    

     Actualmente, o empresário ocupa o cargo de Presidente da Confederação Empresarial da CPLP. Esta que é uma confederação que representa o patronato a nível da Comunidade de países da língua Portuguesa. A Revista de Negócios no Chiveve soube que antigamente a direcção era rotativa, mas quando havia mudança de presidência politica. Entretanto, quando era a vez de Moçambique tinha dois anos, e divido em 1 ano cada mandato. No primeiro ano foi para o representante da AIMO que também é membro, e no segundo ano Salimo Abdula foi convidado e esteve a representar a CTA. Já em 2014 houve eleições para candidatura da presidência da CE-CPLP, e já não era em termos rotativos. Salimo concorreu e conseguiu novamente.

    Fui candidato, apresentei um programa e concorri ao lado de um empresário Angolano e vi minha eleição a ser feita por um suporte de 9 países membros da CPLP. Comecei o meu mandato em 2014 e terminei o primeiro mandato. Agora fui reeleito para o segundo mandato onde estou a dirigir neste momento. A sorte é que as duas eleições minhas foram em Cabo-Verde”, contou Salimo como chegou a Confederação do empresariado da CPLP. 

     Em termos de desafios na CE-CPLP, o empresário esta ciente de que são vários tendo em conta que cada país enfrenta seus problemas específicos. A fonte diz que no primeiro mandato foi marcado por uma reestruturação do agremiado, os problemas financeiros e a constituição de uma agenda comum eram os grandes desafios. A agenda actual é criar valor dentro da comunidade tendo em conta os recursos existente na comunidade, como a mão-de-obra jovem.

    Tem grandes desafios uma vez que não estamos a falar de uma única Nação, mas sim de nove (09) Nações que querem encontrar uma agenda comum. O primeiro mandato foi mais virado para organização institucional tendo em conta que CE-CPLP era muito incipiente e, tinha grandes problemas estruturais e financeiros e que tinham que ser sanados. A Minha energia e da equipe foi mais reestruturar e criar uma confederação mais respeitada e aderência ou inserção nos 9 países, e constituir uma agenda comum. A agenda esta constituída tendo uma grande visão como aquilo que seria a mobilidade dentro das comunidades, depois livre circulação de pessoas e bens, e livre circulação de capitais” avança Salimo.  

    Entretanto, a comunidade da CPLP tem mais de 75% de uma população jovem, que segundo o empresário, tem muita energia e que a mesma deve estar orientada e trabalhada para que seja aproveitada, no sentido que os jovens possam empregar-se, criar valor nas comunidades, criar empresas com conhecimento tecnológico. Salimo Abdula avança ainda que, as outras áreas importante a ser desenvolvidas são o sector agró-industrial e o sector energético.

    Com o sector energético a CPLP pode vir a afirmar-se como a maior comunidade produtora no mundo, isso tudo deve ser bem trabalhado em conjunto. É um facto que é um desafio grande porque cada um dos países tem sua complexa, vemos que Moçambique, Angola e quase todos os países estão a ter problema de agenda própria. Por vezes não conseguimos levar a cabo esta agenda comum com a celeridade que gostaríamos de ver, mas temos esperança que sim a CE-CPLP vai continuar a trabalhar no sentido de agregar valor a economia dos nossos países”, assegurou o Presidente da CE-CPLP.        

    Salimo Abdula diz a comunidade empresarial moçambicana tem apoiado bastante nas actividades da CE-CPLP para o alcance dos objectivos desta agremiação e da sua agenda. Este suporte vem através da Associação das confederações económicas de Moçambique (CTA), e das estruturas governamentais a nível do Ministério dos negócios estrangeiros. A Revista de Negócios no Chiveve quis saber de Salimo como é ser um empresário de Sucesso em Moçambique. A fonte explicou antes que em Moçambique a palavra “Sucesso” tem várias conexões, e que se tem cometido o erro de considera-se empresário de sucesso muitas das vezes pessoas que ganham riquezas sem ter passado por um processo produtivo.

    Muitas vezes a palavra empresário de sucesso associa-se a quem tem sucesso sem meter a mão na massa, portanto são pessoas que ganham riquezas sem ter passado por um processo produtivo. Eu queria vincar que o sucesso de muitos que se consideram com sucesso tem a ver com o equilíbrio entre o positivo e o negativo. Eu posso-me considerar uma pessoa de feliz, sucesso se quiser dizer se tiver em conta que consigo trabalhar, pagar minhas responsabilidades, sustentar minha família, criar riqueza ao país. Criar mão-de-obra e conseguir honrar os compromissos que a empresa tem, eu considero isto sucesso e nesta perspectiva que sou um empresário de sucesso”, disse Salimo.  

    A fonte em a consciência de que, é a primeira geração na família a chegar a esse nível empresarial, portanto acredita ainda que o sucesso empresarial no seu todo leva gerações. Salimo Abdula defende que o sucesso empresarial só será sucesso mesmo se o empresário conseguir transmitir esses valores e bases aos seus sucessores para que estes possam progredir e não ser apenas herdeiros desta visão empresarial e social por ele construída. Para torna-se um empresário de sucesso, o nosso deixou ficar três elementos básicos. A persistência, a consistência nos objectivos e a honestidade são os três elementos defendidos pelo empresário.

    O que tento dizer aos mais jovens é, procurem não correr atrás de muitos sonhos, procure definir o seu grande sonho e, corra atrás para não perder-se pelo caminho atrás de vários sonhos que não nos levam a um caminho predefinido. E o sucesso de um empresário como já havia dito é o balanço do positivo e o negativo. Se a gente consegue ir a cama e dormir de consciência tranquila, de que não deve e que não passou por cima de alguém ou não fez mal a ninguém, esse equilíbrio para mim é o sucesso, que é a consciência tranquila no seu sono. Muitos pensam que o sucesso é ter muito dinheiro, eu conheço muita gente muito pobre que a única coisa que tem é dinheiro” explicou a fonte.

    O empresário afirma ter aprendido dos seus erros para tornar-se um empresário de sucesso. Umas das grandes lições que precisou aprender foi o foco nos seus objectivos. De várias lições adquiridas no seu processo evolutivo, é não confundir receitas com lucros. Está lição é recomendada pelo empresário aos jovens empreendedores, e outras lições podem ser adquiridas na sua pagina do facebook, lugar este que Salimo sempre publica lições empresariais.

    Eu comecei um pouco empiricamente, fui aprendendo dos meus erros. Não fiz uma formação específica para ser empresário, sempre fui um sonhador de desporto. Queria ser um grande jogador na NBA, pensa em ir jogar para fora era o sonho daquela altura e da adolescência. E este sonho foi levando-me, mas acabei não sendo esse jogador de basquetebol internacional mas consegui ser o campeão nacional. A vida abriu-me outras janelas de oportunidades, esta janela que me referi no sector empresarial e assegurei esta área, e fui crescendo que me deram. Se eu não soubesse que queria ser empresário, se quisesse ser um desportista, académico ou mais tarde um político teria feito muita coisa e perdido meu foco. É aquilo que digo, corram atrás de único sonho depois de atingir o seu sonho as outras coisas podem ser feitas como complemento do seu sonho”, defende Salimo Abdula.

    Para os jovens empreendedores, o empresário aconselha ainda para que foquem-se mais na vida empresarial por ser compensadora. Mas este diz tudo é condicionado pelo espírito de batalhadores, que não hora específica para o trabalho e evitar os erros. Sublinhando cada vez mais a necessidade de não confundir-se as receitas com os lucros, segundo este o que for lucro não deve ser consumido na totalidade mas sim apenas 10 por centos. Ciente de que leva tempo, a fonte aconselha para que se cresça com sustentabilidade.

    Recentemente, o Empresário Salimo Abdula recebeu um prémio internacional denominado “Euroknwowledge 2020”. Este prémio já foi atribuído a grandes empresários como Bill Gates. Segundo o galardoado, este prémio é um prestígio não só para si, mas também para a sua família e para o empresariado nacional.  Salimo Abdula diz que esta premiação mostra que não é só de coisas negativas como é vendida a imagem do país, e serviu para mostrar que Moçambique também tem valor.

    Este valor que eu tenho existe em Moçambique com muitas boas pessoas, empresários que tem visibilidade que eu mais que tem os mesmos princípios. Tudo isso é uma enorme responsabilidade, e quero partilhar tudo isso com colegas e compatriotas, e dizer o berço que me trouxe de Beira e Quelimane esta sempre presente no meu coração. Isto tem feito de mim alguém cauteloso e com muita responsabilidade, e hoje um prémio deste cai para mim a responsabilidade e como cai para imagem colectiva do país. Hoje temos mais o termo responsabilidade do que ficar ai mais expostos a visibilidade para qualquer erro que eu possa cometer inocentemente, há que duplicar esta responsabilidade. É uma grande alegria e honra ter recebido um prémio deste nível”, explanou o empresário.   

    O empresário não sabe dizer o que contribuiu concretamente para que fosse o vencedor deste prémio. Mas o mesmo reconhece que tudo tem a ver com a combinação do capítulo de Liderança, questões filantrópicas e com os princípios defendidos. O vencedor avançou ainda que soube que umas das organizações que propuseram o seu nome foi a Humans Lider of África. Organização da região e que já esteve em Moçambique, onde Salimo Abdula já foi palestrante aqui no país e na África do Sul através desta instituição.       

    A Revista Negócios no Chiveve, o entrevistado afirmou que o sector empresarial nacional é composto em todas áreas por um empresariado emergente. Apesar deste empresariado estar em um processo de construção, segundo o empresário os grandes desafios actuais são a Paz, a estruturação para o acesso ao financiamento e acesso a tecnologia de forma a trazer soluções sustentáveis ao país.

    Vejo e acompanho que uma grande parte dos jovens que já começa a ter uma formação tem dificuldades em ter acesso ao financiamento que possa ser sustentável ao seu projecto, e as suas garantias para serem apresentadas a banca. Penso que aqui o conceito de uma estrutura financeira ou de um banco de desenvolvimento ainda é incipiente, isto dificulta que a maior parte do empresariado jovem possa dar o seu passo. Para as empresas mais solidas no mercado tem grandes oportunidades”, confirma o empresário.  

    Salimo diz ainda que o sector da Logística ainda é também um grande desafio para o sector empresarial no seu todo. Este afirma ser “muito cara” a logística no país, e não é fácil transportar um produto produzido em Maputo para a comercialização em Nampula.

     “A logística de Moçambique ainda é muito cara, se quiser produzir uma coisa em Maputo e manda para Nampula, vice-versa ainda é caro. Penso que o desafio da logística é um do nosso estrangulamento que temos, e outros são os desafios que os empresários vivem no seu dia-a-dia. A paz é digamos é a base prioritária para todos nós, não só para os empresários. Sem paz dificilmente nós podemos progredir, este é um outro grande desafio que temos. Espero que essa luta que o governo esta a fazer para consolidar a paz aconteça para o benefício de todos. Só não se beneficiam aqueles que estão contra a paz que é uma coisa estranha”, exortou.

    Os sequestros que tem a tendência a aumentar no país, segundo Salimo Abdula é uma das grandes preocupações do empresariado nacional. Este fenómeno prejudica o sector empresarial e cria instabilidade social no país. Segundo o empresário, o país neste momento precisa de mais investimentos, e se não haver essa tranquilidade pode-se viver uma grande crise onde a camada juvenil será a mais afectada não pode conseguir investir ou ter emprego. Porque na sua óptica além de haver mais investimentos o que acontece é que esta haver menos investimos.

    Temos visto que a onda de sequestros tem atingindo uma camada empresarial. Nós olhamos que a onda de sequestros andam a uns anos, primeiro estava numa faixa específica do mercado, onde ouvíamos que era um grupo de mercado e acerto de contas de negócios estranhos e complicados. Mas começamos a ver agora um processo de democratização do próprio sequestro, já começam a sequestrar pessoas singulares com menos exposição empresarial. Isto começa a criar uma preocupação mais generalizada porque vai afectar a atracão de investimentos para Moçambique porque vai tornar-se um país perigoso. Se comparado com muitos países latinos americanos, que são países altamente inseguros e Moçambique era um país seguro apesar das questões de terrorismo que temos no norte, começa a se intensificar cada vez mais esta questão de raptos e país aparece novamente com a negativa na mídia nacional e internacional” concluiu a fonte.

    NÁDIO TAIMO

    NOVEMBRO DE 2020

  • SER EMPRESÁRIO EM MOÇAMBIQUE

    Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Procure definir seu grande sonho e corra atrás para não perder-se pelo caminho.”

    Este é um conselho direccionado a camada juvenil que pretende entrar no mundo empresarial. De acordo com o empresário Salimo Abdula, a identificação e definição de um único sonho é o passo primordial para o alcance do sucesso empresarial desejado por muitos. “Procurem não correr atrás de muitos sonhos. Procure definir o seu grande sonho e corra atrás para não perder-se pelo caminho atrás de vários sonhos que não nos levam a um caminho predefinido”, exorta.

    Natural da cidade de Quelimane, província da Zambézia, Salimo Abdula passou uma parte da sua infância na aldeia de Maruro cujo língua natal daquela região é Cena. O seu pai é natural de Inhambane e sua mãe é da província de Sofala, Salimo Abdula é um empresário moçambicano de grande gabarito. Fora do mundo empresarial, Salimo é um homem de família, com 3 filhos todos rapazes. Há mais de 30 anos, o empresário mudou-se para capital onde afixou-se e desenvolve as suas actividades empresariais.

    Importa realçar que, a educação que Salimo teve em casa o ajudou de alguma forma a tornar-se nesta figura reconhecida no panorama empresarial nacional assim como também internacional. Este diz que os seus pais não tinham posses financeiras mas tinha bases, valores e princípios muito apurados. Entretanto estes valores em que Salimo e seus irmãos foram educados, são valores que lhes valem muito actualmente.

     O empresário fala ainda de uma ajuda em termos de educação, ensinamentos estes mais virados para questões éticas, civilizacionais e de como lhe dar melhor em um ambiente formal. Para estes ensinamentos, Salimo destaca os tios Carimo e Baiana, como formadores. Estes tios receberam Salimo na sua residência para que continuasse com os estudos porque na aldeia onde os pais do empresário viviam não haviam escolas. Este fez o ensino primário em Quelimane, e com a transferência dos pais para Ilha de Moçambique Salimo também mudou-se e continuou os estudos lá. Em Nampula, o empresário frequentou o Instituto comercial, e depois mudou-se para Beira e mais tarde para Maputo, tudo para continuar com os estudos.

    Na Cidade da Beira, Salimo concluiu o Instituto comercial e foi afecto a Direcção provincial de Comercio. Porém durante esta estadia na Beira, o empresário nos tempos livres desenvolvia uma actividade de renda numa empresa de Engenharia. Mas, antes mesmo de mudar-se para Beira, Salimo já tinha uma experiência de trabalho adquirida ainda na infância. Segundo o mesmo com seus 13 anos de idade, em Quelimane ocupava-se desenvolvendo actividades em um Bar para poder ajudar na economia familiar.

    Ainda na Beira, o empresário esteve envolvido no mundo desportivo. Salimo Abdula foi um jogador de basquetebol no clube Palmeiras da Beira, e conheceu Maputo através do Clube Palmeiras. Este veio a capital para um campeonato nacional e, depois de mudar-se para Maputo jogou pelo Clube de Maxaquene onde foi campeão na altura. Mas a carreira de jogador viria a terminar depois da sua saída do Maxaquene ao Clube de Madjedje de Maputo.

    Em entrevista a Revista de Negócios de Chiveve, Salimo Abdula revelou os passos e o caminho percorrido desde o início até torna-se um grande empresário “sustentável” como considera-se. Entretanto o princípio de tudo não foi um mar de rosa, Salimo Abdula conta que entra no mundo empresarial depois de adquirir uma empresa totalmente falida e abandonada. Iluminate é a empresa de engenharia electrotécnica adquirida pelo nosso entrevistado, nesta empresa a fonte já fazia parte como trabalhador na Cidade da Beira.    

    Quando eu estava na Beira a estudar fazia parte de uma empresa chamada Iluminate, uma empresa que vendia material eléctrico e fazia obras de engenharia electrotécnica. Depois mais tarde esta empresa, de acordo com a Lei antiga quando os proprietários abandonavam uma empresa mais de 90 dias a empresa era intervencionada pelo Estado, e foi neste sentido que, eu como tinha uma das procurações acabei sendo contactado pela empresa a perguntar se eu queria candidatar-me. Nenhum dos trabalhadores quis se posicionar porque a empresa estava abandona e foi assim que eu entrei para o mundo empresarial”, conta Salimo Abdula.

    A fonte afirma que enfrento diversas dificuldades ao entrar no mundo empresarial. Mas apesar dessas dificuldades continuou ate tornar-se em grande empresário. Salimo Abdula já ocupou diversos cargos no mundo empresarial. Antes de completar seus 20 anos de idade, o nosso entrevistado já ocupava o cargo de Presidente de Conselho de Administração na Iluminate, sua primeira empresa. Tempos depois fundou outra empresa denominada “Eletrosul”, e actualmente é PCA do Intelec Holdings, uma companhia que está na lista das 10 melhores Holdings de Moçambique. 

    De realçar que através desta companhia, Salimo Abdula ocupou ainda os cargos de Presidente de Conselho Administrativo da Vodacom, Administrador do Banco Único, e Banco ICB, todas empresas participadas. “Já fui Presidente da Direcção e Presidente de Mesa da Assembleia na Associação das Confederações Económicas de Moçambique (CTA). Fui também deputado na Assembleia da República na primeira Legislatura Multipartidária”, contou a fonte.

    Questionado sobre os porquês de abandonar a vida politica e seguir a vida empresarial, Salimo Abdula afirmou que decidiu continuar como empresário, vida que já levava muito antes de entrar para a Assembleia da República. O mesmo acrescenta que é um indivíduo de princípios e que evita conflitos de interesses, elementos estes contribuíram bastante para que tivesse um bom nome e reputação no mundo empresarial a nível nacional e internacional.   

    Eu sou uma pessoa de princípios como disse de princípio, sou uma pessoa de princípios porque aprendi questões de valores. Evitar o conflito de interesses é muito bom, e muito importa porque muito das vezes somos jogadores e árbitros. Isso é perigoso, e já me referenciei isto muitas vezes. Nós temos problemas sérios no país quando temos conflitos de interesses, pessoas que estão no sector político que depois eles mesmo tomam decisões em relação há aquilo que é a arena empresarial onde estão envolvidos”, afirma o empresário.

    O empresário diz ainda que entrou para a política vindo do ramo empresarial, em um momento que iniciava a primeira legislatura multipartidária e havia necessidade de quem já estava na arena empresarial ajudar o país num foco da nova era.

    O Governo que tínhamos vinha da economia centralizada, não sabia o que era economia do mercado. Então como empresário aceitei juntar-me a esta primeira fase da república, era a primeira vez que havia muitos partidos no parlamento. Mas ao longo dos 5 anos verifiquei que as minhas empresas estavam em decadência, este era um grande risco. Ou eu continuava com a vida politica ou fica numa situação difícil, lembro-me que a minha esposa estava na medicina e teve que deixar para ajudar a empresa porque eu estava muito ausente. Tive que tomar uma decisão, queria continuar com a vida empresarial e abandonei a política no final do mandato de 1999. A partir do sector empresarial abracei a vida associativa, era uma forma de ajudar o país sem estar ligado directamente a politica”, conta o empresário.  

    Ainda falando da sua saída na vida politica para evitar também o conflito de interesses, a fonte vai mais a fundo exemplificando com um jogador de futebol. Salimo Abdula afirma que o jogador deve lutar apenas pela equipe que veste a camisola, e quando acabar pode seguir para o outro clube. E que tudo é questão de princípios e ética apenas.

     “Sou um individuo de causas, quando abraço uma causa visto aquela camisola e vou lutar dentro daquilo que são os princípios que me propus defender. Por exemplo estive na CTA, lutei pela CTA até entregar meu mandato, hoje não tenho responsabilidade directa mas tenho responsabilidades morais. Se eu amanhã abraçar a administração de uma entidade que eu aceitar, e que seja empresarial eu vou defender essa camisola. É questão de valores e princípios, é como um jogador de futebol, se ele estiver a jogar por um clube deve lutar por aquela camisola. E quando acabar tem o valor moral mas ele não é obrigado, se for para outro clube pode deve vestir a camisola daquele clube e lutar por aquele clube. É um pouco isso o valor da ética de governação corporativa que tenho defendido”, explicou.    

     Actualmente, o empresário ocupa o cargo de Presidente da Confederação Empresarial da CPLP. Esta que é uma confederação que representa o patronato a nível da Comunidade de países da língua Portuguesa. A Revista de Negócios no Chiveve soube que antigamente a direcção era rotativa, mas quando havia mudança de presidência politica. Entretanto, quando era a vez de Moçambique tinha dois anos, e divido em 1 ano cada mandato. No primeiro ano foi para o representante da AIMO que também é membro, e no segundo ano Salimo Abdula foi convidado e esteve a representar a CTA. Já em 2014 houve eleições para candidatura da presidência da CE-CPLP, e já não era em termos rotativos. Salimo concorreu e conseguiu novamente.

    Fui candidato, apresentei um programa e concorri ao lado de um empresário Angolano e vi minha eleição a ser feita por um suporte de 9 países membros da CPLP. Comecei o meu mandato em 2014 e terminei o primeiro mandato. Agora fui reeleito para o segundo mandato onde estou a dirigir neste momento. A sorte é que as duas eleições minhas foram em Cabo-Verde”, contou Salimo como chegou a Confederação do empresariado da CPLP. 

     Em termos de desafios na CE-CPLP, o empresário esta ciente de que são vários tendo em conta que cada país enfrenta seus problemas específicos. A fonte diz que no primeiro mandato foi marcado por uma reestruturação do agremiado, os problemas financeiros e a constituição de uma agenda comum eram os grandes desafios. A agenda actual é criar valor dentro da comunidade tendo em conta os recursos existente na comunidade, como a mão-de-obra jovem.

    Tem grandes desafios uma vez que não estamos a falar de uma única Nação, mas sim de nove (09) Nações que querem encontrar uma agenda comum. O primeiro mandato foi mais virado para organização institucional tendo em conta que CE-CPLP era muito incipiente e, tinha grandes problemas estruturais e financeiros e que tinham que ser sanados. A Minha energia e da equipe foi mais reestruturar e criar uma confederação mais respeitada e aderência ou inserção nos 9 países, e constituir uma agenda comum. A agenda esta constituída tendo uma grande visão como aquilo que seria a mobilidade dentro das comunidades, depois livre circulação de pessoas e bens, e livre circulação de capitais” avança Salimo.  

    Entretanto, a comunidade da CPLP tem mais de 75% de uma população jovem, que segundo o empresário, tem muita energia e que a mesma deve estar orientada e trabalhada para que seja aproveitada, no sentido que os jovens possam empregar-se, criar valor nas comunidades, criar empresas com conhecimento tecnológico. Salimo Abdula avança ainda que, as outras áreas importante a ser desenvolvidas são o sector agró-industrial e o sector energético.

    Com o sector energético a CPLP pode vir a afirmar-se como a maior comunidade produtora no mundo, isso tudo deve ser bem trabalhado em conjunto. É um facto que é um desafio grande porque cada um dos países tem sua complexa, vemos que Moçambique, Angola e quase todos os países estão a ter problema de agenda própria. Por vezes não conseguimos levar a cabo esta agenda comum com a celeridade que gostaríamos de ver, mas temos esperança que sim a CE-CPLP vai continuar a trabalhar no sentido de agregar valor a economia dos nossos países”, assegurou o Presidente da CE-CPLP.        

    Salimo Abdula diz a comunidade empresarial moçambicana tem apoiado bastante nas actividades da CE-CPLP para o alcance dos objectivos desta agremiação e da sua agenda. Este suporte vem através da Associação das confederações económicas de Moçambique (CTA), e das estruturas governamentais a nível do Ministério dos negócios estrangeiros. A Revista de Negócios no Chiveve quis saber de Salimo como é ser um empresário de Sucesso em Moçambique. A fonte explicou antes que em Moçambique a palavra “Sucesso” tem várias conexões, e que se tem cometido o erro de considera-se empresário de sucesso muitas das vezes pessoas que ganham riquezas sem ter passado por um processo produtivo.

    Muitas vezes a palavra empresário de sucesso associa-se a quem tem sucesso sem meter a mão na massa, portanto são pessoas que ganham riquezas sem ter passado por um processo produtivo. Eu queria vincar que o sucesso de muitos que se consideram com sucesso tem a ver com o equilíbrio entre o positivo e o negativo. Eu posso-me considerar uma pessoa de feliz, sucesso se quiser dizer se tiver em conta que consigo trabalhar, pagar minhas responsabilidades, sustentar minha família, criar riqueza ao país. Criar mão-de-obra e conseguir honrar os compromissos que a empresa tem, eu considero isto sucesso e nesta perspectiva que sou um empresário de sucesso”, disse Salimo.  

    A fonte em a consciência de que, é a primeira geração na família a chegar a esse nível empresarial, portanto acredita ainda que o sucesso empresarial no seu todo leva gerações. Salimo Abdula defende que o sucesso empresarial só será sucesso mesmo se o empresário conseguir transmitir esses valores e bases aos seus sucessores para que estes possam progredir e não ser apenas herdeiros desta visão empresarial e social por ele construída. Para torna-se um empresário de sucesso, o nosso deixou ficar três elementos básicos. A persistência, a consistência nos objectivos e a honestidade são os três elementos defendidos pelo empresário.

    O que tento dizer aos mais jovens é, procurem não correr atrás de muitos sonhos, procure definir o seu grande sonho e, corra atrás para não perder-se pelo caminho atrás de vários sonhos que não nos levam a um caminho predefinido. E o sucesso de um empresário como já havia dito é o balanço do positivo e o negativo. Se a gente consegue ir a cama e dormir de consciência tranquila, de que não deve e que não passou por cima de alguém ou não fez mal a ninguém, esse equilíbrio para mim é o sucesso, que é a consciência tranquila no seu sono. Muitos pensam que o sucesso é ter muito dinheiro, eu conheço muita gente muito pobre que a única coisa que tem é dinheiro” explicou a fonte.

    O empresário afirma ter aprendido dos seus erros para tornar-se um empresário de sucesso. Umas das grandes lições que precisou aprender foi o foco nos seus objectivos. De várias lições adquiridas no seu processo evolutivo, é não confundir receitas com lucros. Está lição é recomendada pelo empresário aos jovens empreendedores, e outras lições podem ser adquiridas na sua pagina do facebook, lugar este que Salimo sempre publica lições empresariais.

    Eu comecei um pouco empiricamente, fui aprendendo dos meus erros. Não fiz uma formação específica para ser empresário, sempre fui um sonhador de desporto. Queria ser um grande jogador na NBA, pensa em ir jogar para fora era o sonho daquela altura e da adolescência. E este sonho foi levando-me, mas acabei não sendo esse jogador de basquetebol internacional mas consegui ser o campeão nacional. A vida abriu-me outras janelas de oportunidades, esta janela que me referi no sector empresarial e assegurei esta área, e fui crescendo que me deram. Se eu não soubesse que queria ser empresário, se quisesse ser um desportista, académico ou mais tarde um político teria feito muita coisa e perdido meu foco. É aquilo que digo, corram atrás de único sonho depois de atingir o seu sonho as outras coisas podem ser feitas como complemento do seu sonho”, defende Salimo Abdula.

    Para os jovens empreendedores, o empresário aconselha ainda para que foquem-se mais na vida empresarial por ser compensadora. Mas este diz tudo é condicionado pelo espírito de batalhadores, que não hora específica para o trabalho e evitar os erros. Sublinhando cada vez mais a necessidade de não confundir-se as receitas com os lucros, segundo este o que for lucro não deve ser consumido na totalidade mas sim apenas 10 por centos. Ciente de que leva tempo, a fonte aconselha para que se cresça com sustentabilidade.

    Recentemente, o Empresário Salimo Abdula recebeu um prémio internacional denominado “Euroknwowledge 2020”. Este prémio já foi atribuído a grandes empresários como Bill Gates. Segundo o galardoado, este prémio é um prestígio não só para si, mas também para a sua família e para o empresariado nacional.  Salimo Abdula diz que esta premiação mostra que não é só de coisas negativas como é vendida a imagem do país, e serviu para mostrar que Moçambique também tem valor.

    Este valor que eu tenho existe em Moçambique com muitas boas pessoas, empresários que tem visibilidade que eu mais que tem os mesmos princípios. Tudo isso é uma enorme responsabilidade, e quero partilhar tudo isso com colegas e compatriotas, e dizer o berço que me trouxe de Beira e Quelimane esta sempre presente no meu coração. Isto tem feito de mim alguém cauteloso e com muita responsabilidade, e hoje um prémio deste cai para mim a responsabilidade e como cai para imagem colectiva do país. Hoje temos mais o termo responsabilidade do que ficar ai mais expostos a visibilidade para qualquer erro que eu possa cometer inocentemente, há que duplicar esta responsabilidade. É uma grande alegria e honra ter recebido um prémio deste nível”, explanou o empresário.   

    O empresário não sabe dizer o que contribuiu concretamente para que fosse o vencedor deste prémio. Mas o mesmo reconhece que tudo tem a ver com a combinação do capítulo de Liderança, questões filantrópicas e com os princípios defendidos. O vencedor avançou ainda que soube que umas das organizações que propuseram o seu nome foi a Humans Lider of África. Organização da região e que já esteve em Moçambique, onde Salimo Abdula já foi palestrante aqui no país e na África do Sul através desta instituição.       

    A Revista Negócios no Chiveve, o entrevistado afirmou que o sector empresarial nacional é composto em todas áreas por um empresariado emergente. Apesar deste empresariado estar em um processo de construção, segundo o empresário os grandes desafios actuais são a Paz, a estruturação para o acesso ao financiamento e acesso a tecnologia de forma a trazer soluções sustentáveis ao país.

    Vejo e acompanho que uma grande parte dos jovens que já começa a ter uma formação tem dificuldades em ter acesso ao financiamento que possa ser sustentável ao seu projecto, e as suas garantias para serem apresentadas a banca. Penso que aqui o conceito de uma estrutura financeira ou de um banco de desenvolvimento ainda é incipiente, isto dificulta que a maior parte do empresariado jovem possa dar o seu passo. Para as empresas mais solidas no mercado tem grandes oportunidades”, confirma o empresário.  

    Salimo diz ainda que o sector da Logística ainda é também um grande desafio para o sector empresarial no seu todo. Este afirma ser “muito cara” a logística no país, e não é fácil transportar um produto produzido em Maputo para a comercialização em Nampula.

     “A logística de Moçambique ainda é muito cara, se quiser produzir uma coisa em Maputo e manda para Nampula, vice-versa ainda é caro. Penso que o desafio da logística é um do nosso estrangulamento que temos, e outros são os desafios que os empresários vivem no seu dia-a-dia. A paz é digamos é a base prioritária para todos nós, não só para os empresários. Sem paz dificilmente nós podemos progredir, este é um outro grande desafio que temos. Espero que essa luta que o governo esta a fazer para consolidar a paz aconteça para o benefício de todos. Só não se beneficiam aqueles que estão contra a paz que é uma coisa estranha”, exortou.

    Os sequestros que tem a tendência a aumentar no país, segundo Salimo Abdula é uma das grandes preocupações do empresariado nacional. Este fenómeno prejudica o sector empresarial e cria instabilidade social no país. Segundo o empresário, o país neste momento precisa de mais investimentos, e se não haver essa tranquilidade pode-se viver uma grande crise onde a camada juvenil será a mais afectada não pode conseguir investir ou ter emprego. Porque na sua óptica além de haver mais investimentos o que acontece é que esta haver menos investimos.

    Temos visto que a onda de sequestros tem atingindo uma camada empresarial. Nós olhamos que a onda de sequestros andam a uns anos, primeiro estava numa faixa específica do mercado, onde ouvíamos que era um grupo de mercado e acerto de contas de negócios estranhos e complicados. Mas começamos a ver agora um processo de democratização do próprio sequestro, já começam a sequestrar pessoas singulares com menos exposição empresarial. Isto começa a criar uma preocupação mais generalizada porque vai afectar a atracão de investimentos para Moçambique porque vai tornar-se um país perigoso. Se comparado com muitos países latinos americanos, que são países altamente inseguros e Moçambique era um país seguro apesar das questões de terrorismo que temos no norte, começa a se intensificar cada vez mais esta questão de raptos e país aparece novamente com a negativa na mídia nacional e internacional” concluiu a fonte.

    NÁDIO TAIMO

    NOVEMBRO DE 2020

  • MERCADO DE MARKETING INTERATIVO NA BEIRA

    Originalmente o termo mercado, do latim, era utilizado para designar o sítio onde compradores e vendedores se encontravam para trocar os seus bens.

    Designa-se por mercado o local no qual agentes econômicos procedem à troca de bens por uma unidade monetária ou por outros bens. Segundo a teoria Liberal os mercados tendem a chegar ao equilíbrio baseada na lei da oferta e demanda, que defende que os preços serão condicionados a quantidade de pessoas que desejam o produto versus a quantidade desse produto em estoque.

    O mercado é o ambiente social ou virtual propício às condições para a troca de bens e serviços. Também se pode entender como sendo a instituição ou organização mediante a qual os ofertantes (vendedores) e os demandantes (compradores) estabelecem uma relação comercial com o fim de realizar transações, acordos ou trocas comerciais.  A cidade da Beira contém um ótimo mercado para a implantação de negócio, cabe o empreendedor fazer uma pesquisa para a identificação da potencial área de actuação. Porém, após a abertura do seu empreendimento o empreendedor precisa de ter em mente que deve manter uma inteiração constante com os seus consumidores, e uma das forma de manter esta interação é através do marketing interativo. Afinal oque é marketing Interativo? O Marketing Interativo é um conjunto de práticas e técnicas voltadas para incentivar a interação do público com a sua empresa. Trata-se, portanto, de uma estratégia extremamente efetiva para aumentar o engajamento e, assim, possibilitar a otimização das suas ações de marketing. 

    Marketing Interativo é uma estratégia que tem como finalidade encorajar a persona (representação fictícia de um cliente ideal), a interagir com a marca, gerando, assim, um cenário próprio para sua atração, nutrição e conversão.  Em suma o marketing interativo e aquele que como o próprio termo diz interage com o cliente e utiliza esta interação para criar a tao desejada fidelização. 

    A ideia da interatividade é colocar o cliente no centro dos processos realizados pela empresa, passando um sentimento de inclusão e colaboração. 

    Desde modo, é possível criar um diálogo aberto com sua persona, deixando-a em uma posição em que ela possa se sentir no controle da experiência. Isso não significa, contudo, que os benefícios do Marketing Interativo se restrinjam à aproximação entre marca e cliente. Eles também são essenciais para o seu desenvolvimento estratégico. Isso porque, ao dialogar com pessoas interessadas em suas soluções, você passa a receber feedbacks extremamente valiosos. 

    Para entender a utilidade do Marketing Interativo, você precisa ter a noção de que essa é uma estratégia que foca na troca de informações com a audiência. Portanto, se quiser implementá-la em sua empresa, comece esquecendo a ideia de que a sua marca está no controle da relação com os clientes. Percebe-se que poucas empresas dão primazia a questão de marketing interativo na Beira, os gestores das empresa precisam de tomar uma “nova postura” se realmente pretenderem serem lucrativos nos seus negócios. A componente de interatividade vai trazer ganhos tanto para a empresa como para os clientes.  Para executar a estratégia de Marketing interativo de forma adequada as empresa precisa de captar as preferências de persona e moldar a sua abordagem, e basear-se na captação de dados  dos consumidores, algo que vem se tornando imprescindível no cenário atual, muito por conta da preferência do consumidor moderno por ações personalizadas.

    Mais do que isso, captar dados é fundamental para que a própria empresa desenvolva suas ações de forma adequada, focando, por exemplo, no público-alvo mais adequado para os seus conteúdos.

    Ter acesso a informações demográficas da audiência, como idade, escolaridade e localização, é crucial para a criação de campanhas bem segmentadas.  A captação de dados é elementar para que você possa desenvolver uma estratégia capaz de gerar leads e convertê-las em clientes. Porém, para que essa conversão aconteça, é preciso que haja uma abordagem de nutrição bem-feita, que seja capaz de se diferenciar dos diversos conteúdos que o internauta consome diariamente.

    Depois de atraído e convertido, o consumidor precisa ser fidelizado. Isso dá à empresa uma base de clientes fiéis, essenciais para a reputação da marca e para a captação de novos interessados, criando um verdadeiro ciclo. Porém, a fidelização não é uma atividade simples.

    Para executá-la é preciso entender que a jornada do consumidor não se encerra no momento da venda. Em vez disso, ele deve continuar sendo nutrido com conteúdos que agreguem valor e mantenham a proximidade entre o cliente e a companhia. 

    Para começar, as empresas precisam de trabalhar em um pós-venda interativo, como um questionário sobre as soluções oferecidas pela empresa.  Para concretizar as ações e fundamental quem as empresas elabore um planeamento claro começando pelos objectivo a serem alcançados. 

    Vale ressaltar a importância de inserir o valor dado à interatividade na sua cultura organizacional. Os responsáveis por áreas como criação de conteúdo, planeamento estratégico, atendimento ao cliente e gestão de redes sociais devem estar prontos tanto para estimular a interação quanto para interagir com a persona.

    Implantar o Marketing Interativo em sua empresa demanda um processo, iniciado pelo entendimento da eficiência dessa abordagem. A partir daí, você deve encaixar os conceitos de interatividade nas características da sua empresa, sem nunca perder sua originalidade.

    Quando bem aplicada, a estratégia da interatividade,  otimiza suas atividades de marketing, desde a atração da persona até sua conversão em cliente que posteriormente pode se tornar um cliente fiel e trazer grandes ganhos para a sua empresa. 

    Lembrando que para ser diferente no mundo dos negócios, é necessário fazer a diferença”

    Por: 

    Valentim Germano Manuel

  • QUEM É A MULHER EMPREENDEDORA EM MOÇAMBIQUE?

    O empreendedorismo já é uma palavra popular no nosso cotidiano. No entanto, tenho acompanhado alguns debates em que retomam as questões sobre o conceito de empreendedorismo e exemplos de empreendedorismo em Moçambique. Será que a vendedora de tomate no mercado do bairro é empreendedora? Será que temos empreendedoras de sucesso em Moçambique? 

    No dia 19 de Novembro, empreendedoras dos Palops estiveram unidas virtualmente na celabração do Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino (WED 2020) e daí surgiu a minha motivação para reflectir três características que destacam uma empreendedora. A definição de empreendedorismo deve ser feito com frequência, tanto para indicar o contexto, como para reajustar as estratégias para construir um país empreendedor. 

    Empreender é correr riscos calculados

    Quando iniciamos a jornada diária estamos atentos para que nenhum evento coloque em causa a nossa segurança física, mental ou financeira. Já temos uma rotina que ajuda-nos a manter o corpo saúdavel, a boa disposição e dinheiro para cumprir as nossas obrigações familiares. Então, se todos que correm risco são empreendededores, significa que temos milhões de empreendedores em Moçambique?

    A resposta é não. É verdade que a vendedora do mercado do bairro corre inúmeros riscos para começar e manter o negócio. Ela adquire os produtos num mercado grossista com preços baixos, corre risco de vida no transporte, corre risco ao comprar produtos perecíveis e que terá inúmero prejuízo se não vender rápido e também corre risco de ter o negócio replicado pela vizinhança e perder a sua clientela.

    A diferença entre a vendedora do mercado do bairro e uma empreendedora é que a empreendedora conhece os riscos do seu negócio e assume que vai correr os riscos de forma calculada. A empreendedora têm noção dos produtos que pretende vender e do seu custo de aquisão, conhece toda a jornada de interecção com os clientes e não ignora a concorrência. A partir daí, ela estabelece uma plano de acção de como correr riscos no negócio e ter lucro. A maioria das vendedoras do mercado do bairro não sabe o que é lucro, pois a motivação para o negócio é o sustento familiar imediato.

    Empreender é investir tempo, dinheiro e esforço

    A palavra investimento está estritamente relacionada com o futuro ou resultado a longo prazo. De uma forma simples, posso dizer que investir é quando aplicamos o nosso capital (humano, material ou financeiro) hoje, para ter benefícios daqui a mais de cinco anos. Será que a vendedora do mercado do bairro faz uma projecção do negócio de cinco anos? Como abordei anteriormente, a vendedora do mercado do bairro está preocupada com o sustento diário da sua família. Embora a sua dedicação de tempo e esforço físico no negócio seja elevado, o seu investimento finaceiro é reduzido.

    Por isso, encontramos mais uma característica crucial que afasta a vendedora do mercado da categoria de empreendedora. É importante actuar no negócio com maior comprometimento de tempo, isto é, dedicar-se a tempo integral na gestão e operação do negócio, mas saber ajustar os diferentes tipos de investimentos é que a verdadeira essência do empreendedorismo. E mais uma vez o planejamento é chamado para entrar em acção. A empreendedora estima quanto tempo, dinheiro, pessoal é necessário investir hoje e o retorno financeiro esperado nos primeiros anos  do negócio.

    Empreender é expor o negócio

    Quando nos encontramos com uma pessoa desconhecida e pretendemos algum benefício nessa relação, o primeiro passo é a partilhar o nosso nome. Se parar passar, você não sabe o nome da tia que vende tomate no mercado do bairro? Algumas são tratadas por tia, outras por mãe de tal fulano  e as poucas que tem seu nome exposto aos clientes é quando a vendedora da banca vizinha pede o troco.

    A terceira característica que difere uma vendedora do mercado do bairro e a uma empreendedora é a exposição do negócio. A exposição geográfica, isto, quantas pessoas no bairro, na cidade ou no país sabem da existência do negócio tem impacto no crescimento do negócio. 

    Para a vendedora do mercado pode ser suficiente ser conhecida apenas no seu bairro, que já tem receita suficiente que garante uma refeição por dia da família. No entanto, para empreendedora o seu negócio deve ter um alcance maior e mais delimitado em termos de faixa etária, demografia, preferências e outros critérios de selecção do segmento de clientes. Para tal, ela precisa expor o nome do negócio ao público, apresentar o seu diferencial no mercado que vai atrair os clientes certos.

    Actualmente, a exposição do negócio exige mais do que uma placa na entrada do estabelecimento comercial ou empresa, os canais digitais são imprescidíveis para apresentar o negócio e interagir com maior  de clientes.

    O questionamento é um exercício repetitivo, a busca por uma resposta sobre quem é a mulher empreendedora, dará lugar a novas questões para as mulheres, as instituições do governo de promoção, as ONG´s, investidores, consultores e a sociedade em geral.

    A nova questão que surgiu na mente foi: Será que a imagem da mulher com o filho nas costas e a mercadoria na cabeça não é sobrevalorizada? E que consequentemente limita a transição em massa de vendedora do mercado do bairro para o estágio de empreendedora e posteriormente investidora.

  • De um Polidor de Viaturas a um Empreendedor de Sucesso

    ONÉSIMO SINGA DEFENDE EMPREENDEDORISMO PARA CRIAÇÃO DE RIQUEZAS NO PAÍS

    Natural de Maputo e residente no bairro de Maxaquene B, Onésimo Singa é um jovem empreendedor que influenciador. O seu percurso como empreendedor já ultrapassou várias fases, e actualmente é considerado um empresário de sucesso. Interprete e Tradutor de Português e Inglês, professor de Inglês, palestrante e escritor, Onésimo lançou há pouco tempo o seu livro intitulado “Empreendedor de Sucesso”.

    Casado oficialmente e pai de uma filha, com 30 anos de idade, Onésimo Singa iniciou a sua carreira de empreendedor aos 17 anos de idade, altura em que tornou-se polidor de viaturas, actividade que desenvolveu durante 4 anos. Durante a primeira parte dos quatro anos como polidor de viaturas, Onésimo tinha uma renda de quatro centos meticais, que veio depois a subir para setecentos meticais.

    O jovem empreendedor revelou à Revista Negócios no Chiveve, que o valor conseguido na lavagem de carros era investido nos seus estudos. A língua Inglesa foi um dos cursos nos quais Onésimo Singa investiu na altura, e hoje é sem dúvida uma habilidade de grande serventia para si e sua família. Desde o ano de 2017, Singa lecciona o curso de Inglês em diversas instituições como freelancer.

    Enquanto leccionava Inglês, ele desenvolvia outras actividades como promotor de venda de Pizzas. E mais, além de trabalhador independente, Onésimo trabalhou como call center (agente de atendimento) de uma empresa denominada “O Cardápio”. Outra área desenvolvida pelo actual empreendedor foi a de recepcionista e auxiliar administrativo de um estabelecimento de hospedagem do tipo guest house (casa de visita). Neste estabelecimento de hospedagem o nosso entrevistado revelou que trabalhou durante o período entre 2012 a 2016.

    A sua saída da guest house tinha um propósito maior. A partir daquele ano começou a dedicar-se exclusivamente ao empreendedorismo. Importa realçar que, durante os cinco anos como recepcionista e auxiliar administrativo do estabelecimento de hospedagem, a fonte pôde criar a sua primeira empresa denominada Onésimo Bussiness Network. A Revista Negócios no Chiveve soube ainda que, a primeira empresa do jovem empreendedor foi criada no ano de 2014, depois de este ter participado de um curso de empreendedorismo com duração de 6 meses.

    Assumi a área de empreendedorismo em 2016, mas eu tinha já feito um curso de empreendedorismo em 2012. Em 2014 criei a minha primeira empresa, porém, só em 2016 assumi totalmente as actividades desta empresa. Esta prestava serviços de consultoria e treinamento empresarial,” disse a fonte.

    O nosso entrevistado revelou ainda que, a criação da primeira empresa foi em um ambiente de aventuras, mas que foi uma experiência desafiante, e com bons momentos. Dos projectos desenvolvidos por esta empresa destacam-se a produção de um livro, um programa televisivo, consultorias, e realização de conferências e palestras.

    É claro que quando se cria uma empresa, esta vem acompanhada de grandes expectativas; infelizmente as minhas não foram alcançadas imediatamente. Muitos “frutos” estão sendo colhidos só agora em 2020/2021, quando caminho para a criação da minha segunda empresa. A diferença entre o Singa de 2014 e o Singa de hoje é que, em 2014 eu tinha apenas conhecimento teórico e agora tenho muito conhecimento (teórico) e prático em várias áreas que trabalho como empreendedor. E esta é a mais-valia que carrego para a nova empresa”, contou o entrevistado.  

    De acordo com Onésimo Singa, a nova empresa já está em processo de registo nas entidades legais. Ela prestará serviços de imobiliária, organização de eventos corporativos, tradução e interpretação de línguas, produção de programas de televisão, e serviços de limpeza. Em previsão, até abril do corrente ano o empreendedor prevê que a empresa esteja já em funcionamento.

    Actualmente, o empreendedor é também apresentador de um programa televisivo. O programa de televisão foi desenhado em 2014 e a sua efectivação veio a ser no mês de Março do ano passado através de uma proposta apresentada pelo empreendedor a uma estação televisiva sediada em Maputo. A primeira temporada deste programa foi de Março a Junho, o mesmo está ligado ao empreendedorismo, finanças, negócios e liderança. Neste programa, Onésimo é acompanhado por outros empreendedores e empresários, tornando-se um espaço de partilha de experiência.

    Um dos primeiros objetivos ao trazer este programa à televisão era inspirar e motivar os jovens na área de empreendedorismo e negócios. Digo que consegui fazer isso, pois agora que o programa não está no ar, as pessoas ligam para saber sobre o ponto de situação”, disse o jovem empreendedor.

    Empreendedorismo para a Criação de Riqueza no País

    Onésimo Singa afirma que o empreendedorismo é a opção certa para criar riquezas para si, assim como para o país. O mesmo aponta as exigências na legalização de iniciativas empreendedoras como um dos grandes desafios.

    É possível ser um empresário de sucesso em Moçambique, mas é diferente por exemplo dos Estados Unidos da América. Nos Estados Unidos o sistema empresarial ou governamental funciona efectivamente: por exemplo, lá não é obrigatório ter um espaço físico, mas em Moçambique é. Acontece que um escritório físico, em Moçambique é sinónimo de prestação de bons serviços; existe um grande nível de burocracia que dificulta o processo de empreender. Deveria ser o inverso se o país pretende desenvolver, sobretudo porque vejo no empreendedorismo uma área que pode ajudar o país a desenvolver de forma rápida”, explica o empreendedor.

    A fonte vai mais longe na sua explicação, afirmando que as dificuldades encontradas pelos empreendedores para registo de empresas atrasa o desenvolvimento do país, assim como dos empreendedores. Onésimo disse que apesar de todas estas dificuldades é possível ser-se bem-sucedido desde que haja persistência e resistência ao teste do tempo; embora, aquilo que se poderia fazer em um ano acaba levando mais tempo.

    À nossa equipa de reportagem, Singa contou que optou pelo empreendedorismo por influência do curso que frequentou. A fonte afirma ainda que o objectivo principal do curso de empreendedorismo a que se refere era de que cada participante pudesse criar um negócio, e que ele veio a abraçar este caminho de corpo e alma.

    Trabalhar para outrem nunca foi parte do meu plano profissional, talvez influenciado pelo período que trabalhei de forma independente como polidor de carros. Empreender é a melhor opção para mim; tenho tempo para fazer o que quero, quando quero e como quero. E os resultados vêm, embora por vezes levem muito tempo, mas quando chegam, é com abundância”, sustentou Onésimo Singa.     

    A fonte também falou das oportunidades que os jovens podem explorar nesta época da pandemia para empreender. Segundo o mesmo, uma vez que estamos em uma era em que as tecnologias de informação estão muito avançadas, onde tudo acontece através da internet, é um bom momento para que os jovens empreendedores descubram como agregar valores aos seus produtos levando-os ao mundo digital.

    Se pudermos pensar e agir dessa forma, acho que será útil para muitos jovens. Por exemplo, para os que dão aulas, é tempo de transformar suas aulas presenciais em aulas online; assim podem até abranger mais público e ganhar mais dinheiro. É só pensar como podemos agir de forma digital nos nossos negócios”, aconselha o jovem.

    Os Desafios no Empreendedorismo Estão Ligados ao Acesso ao Financiamento

    Na área do empreendedorismo a nível nacional enfrentamos sempre os mesmos desafios. A burocracia no acesso ao financiamento bancário é o grande desafio apontado pelo empreendedor Onésimo. Este defende ainda que, o acesso a finanças não deve ser uma barreira que bloqueia os jovens para que não possam empreender.  

    Eu faço auto-financiamento, e este é resultante das reservas para investimento vindas dos trabalhos que faço. As vezes recorro a terceiros, mas nunca a um banco, não é recomendável quando uma pessoa está na fase inicial do negócio. Portanto, não aconselharia a um novo empreendedor a optar por empréstimo bancário, claro, dependendo do tipo de negócio”, revelou a fonte. 

    De acordo com o mesmo, o outro desafio é a aceitação, tendo em conta que quando alguém decide empreender tem que garantir ao mercado que o trabalho que faz é de qualidade; este processo, na opinião de Onésimo leva tempo. Outro desafio é investir financeiramente numa certa área e depois os resultados não acontecerem de acordo com a expectativa criada.  A fonte fala ainda da problemática ligada a más parcerias estratégicas, que simplesmente aproveitam-se dos empreendedores. Onésimo revelou que já foi vítima deste tipo de parceiros, tendo perdido bastante dinheiro no processo.

    Outros desafios fazem parte da jornada, como ter parceiros estratégicos que nem são estratégicos, querem aproveitar-se de si. Faz parte do processo, já perdi dinheiro para pessoas que não são sérias, só queriam se aproveitar de mim; e já paguei dinheiro que não deveria pagar. Uma das barreiras foi uma parceria que fiz com uma empresa que tinha ganho um concurso. Esta empresa precisava de recursos humanos para implementação do trabalho, e a minha função e da minha empresa era fornecimento de mão-de-obra. Na função disso, trabalhamos e fornecemos mão-de-obra e depois não houve os pagamentos devidos. Pelo que a minha empresa teve que assumir todas as despesas do pessoal. Este foi o momento mais difícil de gerir como empreendedor”, revelou Onésimo Singa.

    O Livro “Empreendedor de Sucesso”

    Questionado sobre como ser um empreendedor de sucesso, sorrindo Onésimo respondeu: “Basta ler o meu livro”. Mais adiante explicou que não existe uma “chave de A a Z” para se ser um empreendedor de sucesso. Segundo a fonte, há que realçar a existência de um conjunto de princípios que a pessoa deve obedecer ou seguir, assim como em qualquer área ou mesmo no ciclo de vida.

    Uma das recomendações que dou no livro é que a pessoa deve descobrir as suas áreas dominantes de trabalho. E em função disso, criar uma estratégia de forma empresarial para que possa vender. Porque não basta só saber o que pode fazer e não criar uma estratégia empresarial. Se você sabe o que pode fazer ou oferecer ao mercado e não tem uma estratégia empresarial para chegar ao mercado, dificilmente você vai conseguir vender, e se não vender não irá ter dinheiro. E esse é só um dos objectivos. Por exemplo, eu sei fazer palestras, escrever livros, dar aulas e fazer tradução, tenho um conjunto de coisas que sei fazer e em função disso tenho que identificar uma coisa que é principal em tudo isso, e criar uma estratégia empresarial de forma que todas outras áreas consigam vender, é desta forma que pode-se considerar a nível financeiro um empreendedor de sucesso”, explicou Onésimo.

    A Revista Negócios no Chiveve soube ainda do entrevistado que, a ideia do livro surge da necessidade de deixar um legado à geração vindoura. O mesmo iniciou em 2014 quando o autor estava na igreja, e a pregação do seu pastor focava-se na seguinte questão: “o que as pessoas vão pensar de si quando morrer?” A fonte diz ter reflectido bastante naquela questão, em uma altura que ainda trabalhava no estabelecimento de hospedagem, e lhe veio a ideia de escrever um livro de empreendedorismo.

    Como já havia feito um curso de empreendedorismo em 2012, então comecei a escrever um livro. À medida que escrevia, ia pesquisando sobre como escrever um livro; o trabalho foi tanto até que em 2017 lançamos a primeira edição. Já em 2018 tive a oportunidade de estudar na África de Sul no projecto Yali, fiz o curso de empreendedorismo e negócios, e a ideia era desenvolver este livro e trazer aspectos que não havia feito menção na primeira edição”, revelou o entrevistado.

    Há que realçar que desde a altura em que Onésimo estava a escrever a primeira edição do seu livro, e foi a África do Sul, este já trabalhava como palestrante e comentador televisivo em matérias de negócios e empreendedorismo. Estas actividades que desenvolvia o ajudaram bastante, pois este foi agregando valores e conhecimento para a composição do livro. Ao regressar ao país, o autor trabalhou com a revisão e actualização dos conteúdos do livro, e assim nasceu a segunda edição.

    A segunda edição intitulada “Empreendedor de Sucesso” foi prefaciada pelo antigo presidente de Moçambique, Alberto Joaquim Chissano. Esta segunda versão, segundo o autor, iniciou a sua compilação em 2018 e foi lançada em Dezembro de 2020. A fonte revelou à nossa Revista que a cada ano irá lançar um livro, e para o ano corrente será lançado mais um livro em Novembro. 

    O livro intitulado “Os 50 executivos de Moçambique” será uma composição de entrevistas feitas a pequenos, médios e grandes executivos na área de empreendedorismo e negócios. Onésimo Singa, perspectiva para o futuro, daqui a 10 anos, ter a sua instituição de treinamento em empreendedorismo e negócios denominada “Instituto Empreendedor de Sucesso”. E pretende continuar a prestar serviços de consultor e treinador de grandes empresas.

  • Fundador Nélio Macombo fala da iniciativa e seus benefícios 

    Fundador Nélio Macombo fala da iniciativa e seus benefícios 

    “PAYMENTSDS”- UMA INICIATIVA TECNOLÓGICA NACIONAL QUE FACILITA NEGÓCIOS 

    Com o desenvolvimento das tecnologias de informação, o mundo busca a cada dia novos meios de trabalho para facilitar um leque de actividades. Assim sendo, a necessidade de inovação frequente é uma prioridade para os fazedores de tecnologias para facilitar a vida dos utilizadores. E nesta necessidade nasceu a “Paymentsds”, uma plataforma tecnológico nacional que veio para facilitar as trocas comerciais.  

    Natural da Cidade da Matola, Província de Maputo, Nélio Macombo é o fundador da “Paymentsds”. Macombo é Licenciado em Engenharia Informática pela Universidade Eduardo Mondlane, e com Especialização em Engenharia de Software pelo Centro de Estudos Avançados de Recife-Pernambuco, Brasil. A Revista de Negócios no Chiveve, Nélio Macombo falou sobre a criação e funcionamento da sua iniciativa empreendedora, Paymentsds. 

    A Payment Developer Suite (Paymentsds) é um projecto Open-Source, que consiste num conjunto de pacote de soluções que simplificam a integração a serviços de pagamentos como M-Pesa, Conta Móvel e Cartões VISA/ MasterCard nas plataformas digitais tais como aplicativos, websites e-commerce e redes sociais (Facebook Business, Instagram Business e WhatsApp Business).

    Esta solução foi desenhada para programadores/desenvolvedores, e empreendedores que pretendam integrar as suas soluções de base tecnológica de forma, simples, prática e acessível a serviços de pagamento”, revelou jovem empreendedor.

    Segundo o fundador, a Paymentsds foi criada no mês de Agosto de 2020, e ainda esta em processo de desenvolvimento. Nélio Macombo avança ainda que, de momento está-se melhorando a solução tecnológica com a contribuição de desenvolvedores a nível da Comunidade e das interações com outros Desenvolvedores de Empresas Privadas, assim como Autónomos, e Empreendedores que tem testado e implementado esta solução no seu software.

    A paymentsds está ser desenvolvida remotamente, usando metodologias ágeis como scrum e kanban e em regime open source. Estamos na fase de testes da versão alpha dos SDKs para as linguagens PHP, JS, Java, Python, Ruby, & Go para a plataforma Mpesa e pretendemos também criar SDKs para a conexão a API da Conta Móvel e Cartões de Débito/ Crédito”, disse Macombo.

    De acordo com o fundador, esta iniciativa permite que os criadores de soluções de base tecnológica foquem-se na criação de produtos e serviços de valor final ao cliente, na medida em que esta solução abstrai e simplifica todo o processo de integração a serviços de pagamento com impacto local. 

    A nível do Paymentsds é feita a implementação da infraestrutura como serviço (IAAS) de modo que a componente de integração para recepção e realização de pagamentos seja prática e acessível para qualquer Developer”, explica Nélio Macombo.

    Questionado pela nossa equipe de reportagem sobre que tipo de negócios pode-se usar essa esta iniciativa, a fonte foi clara e objetiva revelando que a mesma é aplicável a qualquer produto ou serviço que tenha uma componente de pagamentos, permitindo desta forma a digitalização da funcionalidade de pagamentos culminando na transformação digital de negócios.

    A Revista de Negócios, Nélio Macombo revelou o real motivo que o levou a desenvolver esta iniciativa. “Dinamização do Ecossistema de Pagamentos por meio de soluções tecnológicas praticas e acessíveis que permitam a digitalização e a transformação digital de negócios em Moçambique. A Resposta de um problema recorrente a nível da Comunidade que era a dificuldade em integrar as suas soluções aos Serviços de Pagamentos”- revelou a fonte.

    Nélio Macombo afirma os ganhos nas empresas que optarem por está iniciativa serão visto na medida que as mesmas otimizam e poupam os recursos tempo e humanos, para integração e teste de soluções de pagamento, focando na melhoria continua dos seus serviços e produtos e não necessariamente no desenvolvimento e manutenção de infraestrutura que permita a conexão ou integração a serviços de pagamento, possibilitando uma entrega otimizada ao utilizador final.

    Para mim as tecnologias são transversais a qualquer Industria, e possibilitam a optimização de recursos, assim como a praticidade, simplificação de processos e a escalabilidade de negócios e soluções com impacto direto na qualidade de vida do ser humano”, justificou a importância da tecnologia no mundo de grandes negócios e empreendedorismo.

    A Revista de Negócios quis saber do fundador da Paymentsds qual tem sido o “feedback” dos que já estão a usar esta iniciativa. Macombo revelou que o “feedback” tem sido bom, tanto a nível da Comunidade, assim como a nível das startups e Pequenas e Medias Empresas que temos interagido para testes e aprimoramento da solução. O jovem empreendedor convida tambem a todos que tenham interesse em saber mais da solução, visitando os seguintes links “Paymentsds Core”: github.com/paymentsds, website: https://developers.paymentsds.org/.

    Como empreender no ramo de tecnologias em Moçambique, a nossa equipe de reportagem tentou saber do entrevistados as dificuldades enfrentadas e este respondeu: “Prefiro não responder à questão no momento, pois todos tem partilhado dificuldades. E creio que temos de trazer problemas e soluções e, as dificuldades são parte do processo e do nosso desafio como empreendedores”.

    Ainda nesta senda, Nélio Macombo deixo ficar um conselho a outros jovens formados em áreas de tecnologias para que possam empreender na mesma área. A fonte defende a necessidade de se trazer soluções de problemas identificados como a forma certa de empreendedorismo. 

    O Conselho que dou a qualquer jovem que queira empreender é que identifique um problema, um beneficiário do tal problema ou seja, alguém realmente está a precisar de uma solução. Reúna jovens como o mesmo mindset, desenvolva e teste o tal produto no mercado, pois só assim terá uma experiência baseada na realidade o que os americanos apelidam de skin in the game”, aconselha o fundador da Paymentsds.

    Partilho abaixo os links relevantes do projecto:

    PaymentsDs Core: github.com/Paymentsds / Website: https://developers.paymentsds.org/

    Facebook:https://web.facebook.com/paymentsds/ / Twitter: https://twitter.com/paymentsds LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/paymentsds / Instagram: https://www.instagram.com/paymentsds/

  • O Conselho empresarial provincial de Sofala afirma que a economia nesta província regrediu nos últimos dois anos, 2019/2020.

    Esta informação foi avançada pelo respetivo presidente do conselho empresarial provincial de Sofala, numa entrevista a Revista Negócios no Chiveve, para Ricardo Cunhaque, a passagem do ciclone Idai pela província de Sofala em 2019 e a pandemia da covid-19 em 2020, deixaram a classe empresarial ou o sector privado de rastos, tendo em conta os estragos causados por ciclone Idai, que destruiu parcial ou completamente algumas infra estruturas.

    Numa altura em que os empresários tentavam si recompor, eis que aparece a pandemia da covid-19 que com as restrições impostas afetou sobremaneira a economia, com alguns países a observarem lockdown, fronteiras encerradas, oque fez com que o sector privado vivesse momentos ainda mais difíceis porque a província e o sector depende das importações para que os ponteiros da economia subam.

    A nossa fonte disse, que antes um navio com mercadorias que para a província de Sofala levava no máximo quarenta e dois dias, mais hoje pelas restrições impostas pela covid-19, chega a levar noventa dias e com esta situação os empresários apenas somam prejuízos.

    Sobre medidas fiscais?

    O presidente do conselho empresarial provincial de Sofala, Ricardo Cunhaque, que o sector privado propôs ao governo, apos a passagem dos ciclones, chalane e eloise, pedindo a isenção de pagamentos de impostos como, irps, irpc, pagamento de licenças para reabilitação das empresas, bem como uma linha de financiamento com uma taxa de juro bonificado com período de carência um ano, tudo isto serviria de um balão de oxigénio para os empresários locais, e pequenas empresas com dificuldade de orçamento de funcionamento para poderem buscar estas linhas de financiamentos.

    Implicações que as restrições impostas pela covid-19 poderão trazer ao sector privado em Sofala?

    Ricardo Cunhaque, disse que as consequências serão nefastas, mas as medidas são importantes nesta fase em que os números de infetados e mortos por covid-19 tem estado a aumentar, e esta foi uma medida encontrada pelo governo de modo a combater este mal que preocupa todos extratos sociais, mas também afeta as empresas naquilo que e o funcionamento normal das suas atividades, na arrecadação de receitas e também na capacidade de comprimento de pagamento de algumas taxas fiscais.

    O nosso entrevistado disse que as implicações impostas pelas restrições da covid-19 já começam a si fazer sentir, com alguns empresários a fazerem a redução da massa laboral, tendo em conta as restrições e capacidade de faturação nestas empresas, com isto mais pessoas ficam sem empregos.

    Perspetivas para o ano 2021

    Apesar das dificuldades que neste momento o sector privado enfrenta, há sempre uma esperança no seio dos empresários, de que a economia poderá melhorar e para as empresas que estão a operar continuarão a operar e as que encerraram as portas poderão reabrir, mesmo sem indicadores macro económico percentuais mais reina optimismo na classe.

    No final da entrevista, o presidente do conselho empresarial provincial de Sofala, Ricardo Cunhaque disse que a província sente-se honrada pelo facto de o presidente da CTA -Confederação das Associações Económicas de Moçambique, pela estratégia tomada pelo referido presidente, Agostinho Vuma, em envolver as províncias na composição dos órgãos sociais a nível central da CTA e também na composição dos pelouros.

  • Jovem empreendedor de idade recicla tambores e transforma-os em mobiliário de luxo.

    Trata-se de Vence João Aguacheiro, natural da provincial de Zambézia, que deixou bem cedo a sua terra natal com o propósito de crescer e notabilizar-se como empreendedor em grandes cidades.

    Vence João Aguaceiro (CACAUCHO), como carinhosamente é tratado pelos amigos mais chegados, escolheu a cidade da Beira para empreender o seu negocio, tendo primeiro trabalhado como costureiro na casa provincial da cultura nesta urbe, onde para alem de produzir varias obras como vestuários e calcados, também formou jovens interessados em aprender a costurar.

    O seu contacto com tambores, onde o jovem da mais luz ao material começou nos princípios de 2020, quando o mesmo ganhou um projecto de produção de bancadas moveis que podem ser vistos no maior parque de infraestruturas verdes na cidade da Beira, inaugurado ano passado pelo presidente da república Filipe Jacinto Nyusi.

    O nosso entrevistado disse a nossa revista que os diversos mobiliários feitos na base do tambor só são produzidos por encomenda sendo que a primeira foi solicitada pela CHICO, uma empresa responsável pelas obras do canal do Chiveve que já si encontra na sua fase final.

    Cacaucho garantiu que as suas obras vão acrescentar algum valor aquele espaço turístico e que de alguma forma fascinara aos visitantes, do maior parque de infraestruturas verdes ao nível de Africa Austral, dai que com alguns turistas a fotografarem as suas obras ela poderá de certa forma chegar ainda mais longe.

    POSTO DE EMPREGO?

    Com a reciclagem dos tambores e criação de Bancadas móveis, Mesinhas e sofás, o jovem empreendedor de trinta e três anos de idade, empregou Catorze Jovens de várias áreas, como: Pintura, Serralharia e Carpintaria.

    São jovens que através deste trabalho ganham algum salario que por sua vez sustentam o seu agregado familiar, são na sua maioria jovens que tiveram alguma formação técnico-profissional e viram neste trabalho oportunidade de aperfeiçoar o que aprenderam.

    SERA QUE COM A PANDEMIA FICA COMPROMETIDA A EXECUCAO DAS SUAS OBRAS?

    O nosso entrevistado, disse que mesmo com a situação da covid-19 a preocupar cada vez mais o pais, o seu trabalho não para porque na verdade ele e feito em casa e num ambiente seguro, comprido com todas as medidas de prevenção da pandemia.

    META A ALCANCAR?

    Com estas obras, Vence João Aguacheiro, sonha em um dia ser proprietário de uma grande indústria subdividido em vários sectores, com destaque para a formação onde poderão participar cidadão nacionais e internacionais e a partir disto poder criar o seu próprio emprego.

    Cacaucho disse, eu sou filho de camponês, mas por causa desta habilidade, hoje sou um jovem empreendedor e bem-sucedido na minha área de trabalho, por isso incentivo aos outros a correr atras dos sonhos e nunca desistir.

    Ainda em torno do empreendedorismo o nosso entrevistado, disse que numa altura em que os números de óbitos e infeções pela covid-19 tende a subir e importante que si use mais as plataformas digitais para fazer negócios, e assim evita-se exposição pelas ruas, e neste momento a nossa fonte tem as redes sociais como um lugar para expor e vender os seus produtos, com destaque para as obras feitas na base do Tambor o que e uma grande inovação.

    PROJECTOS PARA O ANO 2021

    Por ser um jovem multifacetado e que desde a tenra idade viveu do seu próprio negócio e sobretudo das artes, Cacaucho disse:

    Tenho muita coisa para oferecer neste 2021, mais a prioridade mesmo e de produzir um documentário sobre o surgimento do GRUPO CAPOEIRA SENZALA, uma academia de capoeira lancada por si em Moçambique, que também e a sua outra paixão para além de criação de obras de arte.

    E quanto a transformação dos tambores em mobílias, pretende continuar a produzir, desta vez de uma forma mais extensiva, para além de parques, casas de pastos, o grande desafio e ver as suas obras nas casas dos Moçambicanos, embelezando a sala, o jardim e outros lugares de lazer.

    Com a idade que tem Cacaucho diz sentir-se realizado, pois já conseguiu registar a sua própria empresa denominada, CACAUCHO ARTES E MODA, que por duas vezes representou a provincial de Sofala, numa das maiores feiras do país, denominada FACIM-FEIRA INTERNACIONAL DE MAPUTO, onde por duas vezes foi distinguido com certificado de mérito.

    No final, Cacaucho disse que com a sua empresa quer ganhar novos mercados e para isso si materializar não vai parar de lutar.